A desistência de Anthony Garotinho (Republicanos) do recurso contra a inelegibilidade pode redesenhar a eleição para o governo do Rio. Com 3,17% dos votos válidos no primeiro turno, o ex-governador abriu mão de recorrer da decisão que barrou sua candidatura. Sem esses votos na conta, Douglas Ruas (PL) ultrapassa 50% dos votos válidos e pode ser declarado eleito já no primeiro turno. Antes das urnas, a expectativa era de que a exclusão beneficiasse sobretudo Eduardo Paes (PSD), que liderava as pesquisas. O resultado, porém, inverteu o cenário e passou a favorecer Ruas.
No centro da discussão está o parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral enviado ao Tribunal Superior Eleitoral na terça-feira (6). O documento, que defende a aceitação da desistência, é oficialmente assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa Bravo Barbosa. Nos metadados do arquivo anexado ao sistema da Justiça Eleitoral, porém, aparece como autor Marcello Dias de Paula, advogado da defesa de Garotinho e sócio do escritório do ex-ministro do TSE Admar Gonzaga, que atua no caso.
Espinosa afirmou que o parecer foi produzido em seu computador e atribuiu o registro a uma possível falha técnica do sistema. Marcello Dias de Paula negou ter elaborado o texto e ressaltou que o posicionamento da Procuradoria é contrário à tese sustentada pela defesa. Em outros processos do TSE, documentos assinados por Espinosa trazem no campo de autoria a identificação “PGR PGR”, e não o nome de um advogado particular.
O Tribunal Superior Eleitoral informou, em nota, que eventuais irregularidades ou fraudes, caso sejam questionadas, serão examinadas durante o julgamento do caso. O parecer é peça central para decidir se a desistência de Garotinho será aceita e, com isso, se Ruas será declarado vencedor no primeiro turno ou se a disputa seguirá para o segundo.
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