Oposição tenta adiar votação do fim da escala 6x1 no Senado

Rogério Marinho diz que votar agora “não faz bem ao país” e evita dizer como o PL vai se posicionar. O governo já contaria com os 49 votos
Por: Brado Redação 07.out.2026 às 16h18
Oposição tenta adiar votação do fim da escala 6x1 no Senado
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A oposição no Senado tenta empurrar para depois da eleição a votação do fim da escala 6x1, prevista para a próxima semana. Senadores bolsonaristas se reuniram nesta quarta (7) e decidiram pedir a Davi Alcolumbre que a proposta só vá a plenário depois do resultado do segundo turno.

Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, disse que o partido não se nega a discutir a jornada, mas que este não é o momento. Evitou cravar o voto. “Não faz bem ao país votar um assunto dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votado.”

Para negociar com Alcolumbre, escolheram Tereza Cristina (PP-MS) como porta-voz. Ela tentaria a conversa ainda nesta quarta. Na terça, Flávio voltou a defender o texto alternativo da oposição, que prevê redução da jornada com corte proporcional do salário. Outro pedido é que, se houver votação, seja só o primeiro turno da PEC, e o restante fique para depois. Como a proposta precisa de duas votações, a primeira aprovação não garante que siga adiante após as eleições.

Pelo regimento, são cinco sessões de discussão antes do primeiro turno. A primeira foi na terça e a segunda, nesta quarta. Depois vêm cinco dias úteis, mais três sessões e só então o segundo turno. Emendas alongam o prazo, porque passam pela CCJ. A oposição já avisou que vai apresentá-las. Marinho disse que vai cobrar o cumprimento do regimento, o que jogaria a votação para depois do fim de outubro. O plenário, porém, pode quebrar os prazos.

Os senadores criticaram Alcolumbre por pautar a PEC que acaba com as 44 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado. Mesmo assim, reconhecem que o governo já tem os 49 votos. Damares Alves (Republicanos-DF) disse ser a favor da mudança, mas questionou o timing. “Jogar entre o primeiro e segundo turno? Eu tenho matérias mais importantes ali na pauta. Essa matéria pautada é para desgastar a imagem do Flávio.”

Do lado do governo, a aposta é aprovar os dois turnos antes do dia 25 e expor quem tentar evitar a votação. Se passar, a jornada cai para 42 horas em dois meses, com dois dias de repouso semanal remunerado, e para 40 horas um ano depois desses dois meses.



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