Perspectivas para o processo judicial contra Nicolás Maduro nos Estados Unidos

Ditador venezuelano deposto e Cilia Flores se declaram inocentes em tribunal de Manhattan; defesa evita solicitar fiança e próxima sessão ocorre em março
Por: Brado Jornal 06.jan.2026 às 09h48
Perspectivas para o processo judicial contra Nicolás Maduro nos Estados Unidos
XNY/Star Max
O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deposto após operação militar americana, fez sua estreia em um tribunal federal de Nova York na segunda-feira (5 de janeiro), onde se declarou inocente das graves acusações de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse ilegal de metralhadoras e dispositivos destrutivos.

Sua esposa, Cilia Flores, acompanhou-o na audiência e adotou a mesma posição de não culpada.

Imagens amplamente divulgadas mostram o casal algemado sendo transportado de helicóptero do centro de detenção no Brooklyn até o tribunal em Manhattan, onde Maduro, visivelmente desafiador, afirmou ao juiz Alvin K. Hellerstein: “I am innocent. I am not guilty. I am a decent man” e “I am still president of my country”, além de alegar ter sido “kidnapped” e se considerar um “prisoner of war”.

Um ponto que atraiu atenção foi a decisão da defesa, liderada pelo advogado Barry Pollack, de não requerer liberdade sob fiança prática habitual em audiências iniciais nos EUA. Analistas jurídicos sugerem que isso reflete o elevado risco de fuga avaliado pelo juiz, considerando o histórico acesso de Maduro a recursos como aeronaves estatais ou apoio de forças leais.

O processo se complica pela vasta quantidade de evidências terabytes de documentos coletados por agências como CIA e NSA, muitas classificadas por envolverem segurança nacional americana. Isso demandará sessões específicas para decidir o que pode ser apresentado ao júri, prolongando o caso por meses ou anos.

A próxima audiência foi agendada para 17 de março. Até lá, Maduro e Flores permanecem detidos no Metropolitan Detention Center no Brooklyn.

Especialistas em direito internacional preveem um julgamento extenso, marcado por debates sobre a legalidade da captura e o manejo de provas sigilosas. A operação que removeu Maduro do poder, realizada por forças especiais dos EUA em 3 de janeiro, baseou-se em indiciamento de 2020 atualizado, acusando-o de liderar o chamado Cartel de los Soles.


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