Agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) passaram a prender, em aeroportos, estrangeiros cujos vistos americanos já expiraram. A prática atinge inclusive pessoas que aguardam a análise de pedidos de renovação, de green card ou de asilo, além de cônjuges de cidadãos americanos.
As abordagens acontecem nos balcões de check-in e nos portões de embarque, realizadas por agentes à paisana. Nas últimas semanas, operações foram registradas em pelo menos 15 aeroportos. Parte das detenções ocorre de forma discreta; outras geram mobilização de passageiros, que filmam e compartilham as cenas nas redes sociais.
A iniciativa amplia um acordo de colaboração entre a Administração de Segurança nos Transportes (TSA) e o ICE. Antes, o foco recaía sobretudo sobre indivíduos com ordens de deportação. Agora, a fiscalização também alcança quem ultrapassou o prazo do visto — um contingente bem maior. Centenas de milhares de pessoas excedem anualmente o limite de permanência, e muitas permanecem em uma zona jurídica indefinida, com autorização de trabalho válida enquanto o processo tramita.
No passado, esses casos só eram priorizados quando havia crimes envolvidos. Sob a administração de Donald Trump, qualquer permanência além do prazo do visto é considerada ilegal. O Departamento de Segurança Interna, responsável pelo ICE, fixou a meta de cerca de 2 mil prisões diárias de imigrantes, o dobro do ritmo registrado no começo do ano.
Entre os detidos estão um engenheiro que aguardava a renovação da autorização de trabalho, vários recém-casados com cidadãos americanos e uma ex-au pair. Em 20 de julho, a equatoriana Chantal Morales Rojas, de 27 anos, foi interceptada ao embarcar em um voo da Southwest em Denver. Ela havia entrado legalmente no país com um visto J-1 em 2023, que expirou em janeiro de 2025. Antes do fim do programa, protocolou um pedido para permanecer nos Estados Unidos e recebeu autorização de trabalho enquanto o caso era analisado.
Outros casos incluem uma mulher ugandense em cadeira de rodas, com anemia falciforme e pedido de asilo em andamento, e um australiano abordado em Las Vegas e preso no dia seguinte em Los Angeles.
Advogados especializados em imigração relatam surpresa com a amplitude da medida. Orientações antigas sobre viagens domésticas estão sendo revistas: quem tem mudança de status em andamento agora é aconselhado a evitar voos internos. Um porta-voz do Departamento de Segurança Interna afirmou que o governo atua para impedir que estrangeiros em situação irregular embarquem em voos domésticos, salvo quando a viagem tiver como objetivo deixar o país.
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