Lula discute governança da IA com Macron na Índia

Presidente brasileiro defende multilateralismo na cúpula e alerta para riscos de desigualdades
Por: Brado Redação 19.fev.2026 às 15h29
Lula discute governança da IA com Macron na Índia

Foto: Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026), de uma reunião bilateral com o presidente francês Emmanuel Macron, realizada paralelamente à Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (IA Impact Summit), em Nova Délhi.

Antes do encontro com Macron, Lula discursou na sessão plenária de alto nível do evento. Ele defendeu uma governança global da inteligência artificial baseada em princípios multilaterais e alertou que a ausência de cooperação internacional pode agravar as desigualdades entre nações. “Quando poucos controlam os algoritmos, não se trata de inovação, mas de dominação”, declarou o presidente brasileiro.

O Brasil defende que os países em desenvolvimento tenham acesso equitativo à tecnologia, evitando exclusão digital. A escolha da Índia como sede da cúpula – primeiro país do Sul Global a realizar o evento -  é vista pelo governo brasileiro como um marco simbólico de relevância.

Na conversa com Macron, os líderes trataram de temas como a proteção de crianças contra abusos no ambiente digital, considerado prioridade pela França, e a importância de preservar a soberania digital das nações. O encontro ocorreu em meio a divergências sobre o acordo comercial Mercosul-União Europeia. Macron classificou o texto como desatualizado e um mau negócio, posição contrária à defesa que Lula faz do tratado. A França chegou a votar contra o acordo no Conselho Europeu em janeiro.

A reunião bilateral foi combinada em uma ligação recente entre os dois presidentes, na qual também abordaram a proposta americana de criar um Conselho da Paz em Gaza. Tanto Brasil quanto França mantêm posições semelhantes: discordam do modelo sugerido por Washington e preferem iniciativas ancoradas nas resoluções da ONU.

Após a plenária, Lula conversou ainda com o CEO do Google, Sundar Pichai, e com o presidente da Croácia, Zoran Milanović. O presidente brasileiro também tem previsto um encontro com o presidente do Sri Lanka, Anura Kumara Dissanayake, que participa da cúpula.

Lula chegou à Índia na quarta-feira (18 de fevereiro) e permanece no país até o dia 22. A agenda inclui a participação de ministros e empresários brasileiros. O governo negocia pelo menos três atos bilaterais com a Índia, entre eles um memorando sobre minerais críticos.

Na sexta-feira (20 de fevereiro), o Brasil realiza o evento paralelo “IA para o bem de todos” e integra o Fórum Empresarial Brasil-Índia, organizado pela Apex Brasil. Após a programação na Índia, o presidente segue para a Coreia do Sul.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Zanin recusa ordem para criar CPI do Master
Ministro do STF entende que não há prova de omissão da Presidência do Senado na análise dos pedidos sobre o Banco Master
Tarcísio lideraria disputa paulista no primeiro turno
Pesquisa aponta 53% das intenções de voto para o governador e vantagem também em cenário de segundo turno
Record desmarca debate após recusa de Lula e Flávio
Emissora cancela confronto de domingo (27) porque os dois líderes das pesquisas, com cerca de 70% dos votos, informaram que não iriam
Lula mira o eleitor brasileiro na ONU ao falar de bets, 6x1 e Pix
Na 10ª abertura da Assembleia Geral, o presidente mistura pauta internacional com bandeiras de campanha a 12 dias do 1º turno
Ataque hacker desvia R$ 43 milhões de conta no Banco de Brasília
Valores eram depósitos judiciais do TJ da Bahia na plataforma BRBJUS, mantidos no BRB por ordem de Luiz Fux; banco diz que tribunais não terão prejuízo
Aliança de Trump lista PCC e CV como alvos
Coalizão Escudo das Américas anuncia sanções a 24 grupos chamados de narcoterroristas; Brasil ficou de fora do bloco
Carregando..