Trump ameaça usar vetos caso perca o controle do Congresso

O presidente republicano prepara bloqueios à agenda da oposição e o reforço de poderes unilaterais caso os democratas avancem nas eleições legislativas desta terça-feira
Por: Brado Redação 03.nov.2026 às 08h42
Trump ameaça usar vetos caso perca o controle do Congresso
Reprodução

Donald Trump enfrenta o risco concreto de perder a maioria nas duas casas do Legislativo americano nas eleições de meio de mandato, marcadas para esta terça-feira. Pesquisas majoritárias indicam uma vitória democrata na Câmara dos Representantes e chances relevantes de recuperação do Senado, o que transformaria o presidente em uma figura com poderes limitados no restante do segundo mandato.

A popularidade do chefe do Executivo gira em torno de 32%, pressionada pela alta do custo de vida e pelos efeitos da guerra contra o Irã. Eleito com a promessa de controlar a inflação, reduzir os preços e encerrar conflitos, Trump viu o cenário se inverter: o conflito no Oriente Médio elevou as despesas e corroeu o apoio popular. Ao longo da campanha, ele percorreu o país em comícios, pediu aos correligionários que “finjam que estou na cédula” e elevou o tom contra os adversários, transformando o pleito em um referendo sobre sua gestão. O resultado das urnas, portanto, representará um recado direto ao ocupante da Casa Branca.

Diante do cenário adverso, o presidente já delineou sua estratégia para o caso de derrota. Em entrevista ao podcast Pod Force One, do New York Post, afirmou: “Acho que vou me tornar o Sr. Veto”. A lógica apresentada é simples: os democratas enviariam projetos, ele os barraria e, após um ou dois meses de impasses, a oposição buscaria acordos. Na prática, a caneta presidencial seria utilizada tanto para vetar leis de um Congresso opositor quanto para manter o fluxo de ordens executivas que já caracteriza o atual governo.

Em menos de dois anos, Trump assinou mais de 300 decretos, avançando em temas como imigração, tarifas sobre aliados, cortes de pessoal em agências federais e revogação de diretrizes da gestão Biden sobre a proteção da população LGBTQIA+. Essa atuação à margem do Legislativo permitiu implementar prioridades sem depender de uma maioria parlamentar. Caso perca o controle da Câmara, o presidente planeja continuar nesse caminho e, ao mesmo tempo, frear iniciativas democratas prioritárias, como a reversão de cortes na saúde e a extinção do ICE.

A eventual maioria oposicionista também significaria o controle das comissões investigativas. Os democratas poderiam abrir apurações sobre denúncias de corrupção, conflitos de interesse e condutas da administração e da família presidencial. Trump já sinalizou a possibilidade de conceder indultos preventivos a assessores e aliados, entre eles o bilionário Elon Musk, para protegê-los de eventuais processos. Um terceiro pedido de impeachment não está descartado, embora enfrente a mesma barreira dos anteriores: o Senado exige uma maioria de dois terços para a condenação e o afastamento, tornando a medida politicamente arriscada e de difícil concretização.

A imprensa americana registra que a Casa Branca traçou planos para o pior cenário: a perda das duas casas legislativas e a condição de “pato manco”. Trump deixou claro que não permitirá que os democratas “estraguem tudo”. A combinação de vetos sistemáticos, decretos unilaterais e possíveis indultos forma o núcleo da resposta preparada para a segunda metade do mandato, caso as urnas confirmem a tendência atual das pesquisas. O desfecho desta terça-feira definirá o espaço de manobra do presidente até o final de 2028.



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