O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quinta-feira (29) que não aprovou a carta publicada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado nas eleições presidenciais, na qual o parlamentar se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. A declaração foi feita em frente ao condomínio onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.
Valdemar afirmou que levaria ao ex-chefe do Executivo informações atualizadas sobre os acontecimentos e o andamento da situação. Ele também demonstrou confiança ao dizer que “vai dar tudo certo”. Questionado sobre o conteúdo da carta de Flávio, respondeu: “Não gostei, não gostei”.
A visita ao imóvel do ex-presidente foi autorizada após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) atender a um pedido da defesa. O encontro ocorreu em meio à crise interna no partido, provocada pela saída de Flávio do Brasil.
Na tarde de quarta-feira (28), o senador publicou uma carta na qual se autointitulava “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Minutos depois, republicou a mensagem nas redes sociais, desta vez sem a frase. No texto original, ele afirmou: “Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos”.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reeleito presidente após o resultado de 64,2 milhões de votos no segundo turno, cerca de 4,5 milhões a mais que Flávio. O resultado foi reconhecido pelo Judiciário brasileiro, por organismos internacionais e pela oposição, incluindo o PL, partido do candidato derrotado.
Em uma operação descrita como secreta, Flávio Bolsonaro deixou o país após descumprir uma determinação do STF para entregar seus passaportes à Polícia Federal. Durante o trajeto, passou pela Argentina, fez escala no Equador e chegou aos Estados Unidos. Também desembarcaram em território norte-americano sua mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, com passaporte brasileiro, e as duas filhas adolescentes, Carolina e Luiza, de 14 e 12 anos.
O senador deve solicitar asilo político ao governo republicano, alegando perseguição, ameaças e graves violações de direitos no Brasil. Ele é alvo de duas investigações no STF: uma por suspeita de lavagem de dinheiro, ao lado do advogado Willer Tomaz, envolvendo plataformas de apostas; e outra por supostas irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão do STF foi tomada no âmbito do processo em que Flávio e Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro em um suposto esquema envolvendo empresas do advogado e plataformas de apostas. O ministro Alexandre de Moraes também proibiu Flávio de deixar o país e de manter qualquer contato, direto ou indireto, com Willer Tomaz.
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