As ações do Magazine Luiza (MGLU3) despencaram cerca de 60% no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, embora tenham recuperado perto de 6% nesta terça-feira (27). A principal leitura do mercado é que as taxas de juros devem permanecer elevadas por um período mais longo, diante da percepção de ausência de um ajuste fiscal amplo.
Por sua forte sensibilidade aos juros e ao consumo, a varejista esteve entre as maiores baixas após o segundo turno. No primeiro turno, porém, as mesmas ações haviam figurado entre as maiores altas, quando Flávio Bolsonaro (PL) liderava e os investidores viam maior chance de redução das taxas. Mesmo com aquele avanço, o papel acumula queda de 24% em outubro e de 36,46% no ano.
Na sessão anterior, a curva de juros de curto prazo subiu dois pontos porcentuais, indicando a expectativa de taxas mais altas até 2028. Gustavo Cruz, estrategista-chefe do Sincra, vinculado ao BTG, estima que cada ponto adicional pode elevar em cerca de R$ 100 milhões anuais o custo da dívida da companhia, um impacto relevante para uma empresa de seu porte.
Ruy Hungria, da Empiricus, afirma que uma recuperação mais sólida depende de sinalizações concretas do governo sobre o ajuste fiscal. Ele ressalta que os resultados de curto prazo tendem a permanecer fracos em um ambiente de juros altos, endividamento familiar e inadimplência elevada. Fernando Siqueira, diretor da Eleven, recomenda evitar o papel: “É um investimento muito arriscado agora”.
Os juros elevados não são o único fator. Cruz destaca a concorrência crescente de plataformas estrangeiras de comércio eletrônico, como Shopee e Mercado Livre, em um mercado no qual o consumidor brasileiro é muito sensível a preços. A empresa passou a adotar uma estratégia mais segmentada. O fim da “taxa das blusinhas”, que auxiliava o varejo nacional na disputa com os produtos importados e foi alterada durante a campanha, dificulta ainda mais a competição.
Fatores externos, como conflitos e preços dos combustíveis, também influenciam os juros e as condições da companhia. O estrategista prevê uma temporada de resultados ruins. O BTG mantém o preço-alvo de R$ 12 até outubro de 2027, o que representa um potencial de alta de 126%, mas a projeção pode ser revista, pois o banco ainda não publicou um relatório atualizado após o segundo turno. O cenário para os próximos meses permanece desafiador.
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