O Brasil registra seis óbitos suspeitos e 145 casos de pancreatite associados ao uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento

Anvisa monitora notificações via VigiMed entre 2020 e 2025 envolvendo agonistas do GLP-1 como semaglutida e tirzepatida; bulas já alertam para risco raro de inflamação pancreática, e agência exige receita retida desde 2025
Por: Brado Jornal 08.fev.2026 às 08h01
O Brasil registra seis óbitos suspeitos e 145 casos de pancreatite associados ao uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento
Reprodução
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou dados do sistema VigiMed apontando seis mortes suspeitas e 145 notificações de casos suspeitos de pancreatite aguda possivelmente relacionados ao uso de canetas injetáveis destinadas ao controle de peso e diabetes, no período de 2020 a 2025. Quando incluídos relatos de pesquisas clínicas, o total de ocorrências pode chegar a 225.

As suspeitas envolvem medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, substâncias que imitam o hormônio intestinal responsável por regular a glicose sanguínea, estimular a produção de insulina e aumentar a sensação de saciedade. Entre os princípios ativos citados estão semaglutida, tirzepatida, dulaglutida, liraglutida e lixisenatida, presentes em produtos comerciais como Ozempic, Mounjaro, Wegovy, Trulicity, Saxenda, Victoza, Rybelsus e Xultophy.

Os registros concentram-se principalmente em pacientes dos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. A Anvisa ressalta que as notificações indicam suspeita, sem comprovação causal definitiva entre os medicamentos e os eventos adversos. A pancreatite aguda já consta nas bulas desses fármacos como reação incomum, com orientações para que pacientes interrompam o uso e procurem atendimento médico imediato ao surgirem sintomas como dor abdominal intensa, náuseas ou vômitos persistentes.

Em abril de 2025, a agência implementou a obrigatoriedade de retenção da receita médica na dispensação desses produtos, visando maior controle e uso racional. A fabricante Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro (tirzepatida), reiterou em nota que prioriza a segurança dos pacientes, monitora ativamente relatos adversos e reforça nas bulas o alerta para pancreatite aguda como evento raro. A empresa incentiva consultas médicas para avaliação de sintomas e garante que os medicamentos sejam obtidos por canais legítimos.

As autoridades sanitárias continuam acompanhando as notificações e mantêm canais abertos para manifestações das empresas envolvidas. Especialistas recomendam que o uso dessas medicações ocorra exclusivamente sob orientação e acompanhamento profissional, especialmente em tratamentos off-label para emagrecimento, evitando automedicação ou aquisição irregular.


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