Vorcaro nega fraude no BRB e se oferece para detalhar relações

Ex-controlador do Master pede o arquivamento imediato do inquérito em depoimento à PF. Polícia o indiciou como líder de organização criminosa por gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro
Por: Brado Redação 30.out.2026 às 10h41
Vorcaro nega fraude no BRB e se oferece para detalhar relações
Reprodução

No último depoimento prestado à Polícia Federal antes do indiciamento, o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou estar disposto a revelar todas as suas relações e negócios. Ao mesmo tempo, sustentou que o inquérito sobre a negociação com o Banco de Brasília (BRB) deveria ser arquivado imediatamente.

“Tem outras coisas para serem investigadas, tem coisa, e estou disposto a que se investigue. As minhas relações, eu estou disposto a falar tudo. Mas esse caso tem que ser arquivado, imediatamente, urgentemente. Não pode estar aberto um caso de fraude para alguém que não tem um prejuízo, não tem do BRB e não tem do Master”, declarou Vorcaro no dia 15.

A versão do banqueiro contrasta com as conclusões da PF. A corporação indiciou Vorcaro e outras 13 pessoas por fraudes no negócio entre o Master e o BRB. A polícia o descreve como líder de uma organização criminosa e atribui a ele os crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro.

Os delitos estão relacionados aos R$ 17,5 bilhões em créditos vendidos pelo Master ao BRB entre julho de 2024 e outubro de 2025. Desse total, R$ 12,2 bilhões seriam créditos podres, sem comprovação adequada de existência, segundo o relatório parcial da Operação Compliance Zero, encaminhado ao ministro André Mendonça.

Vorcaro manteve a posição de que não houve irregularidade na aquisição do Master pelo BRB. Sua defesa contrasta com os números do próprio banco público: o BRB já reconheceu perdas de R$ 2,7 bilhões nas operações e aprovou, em abril, um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões para recompor o patrimônio. Um relatório do Banco Central chegou a apontar uma perda potencial de R$ 11,4 bilhões. O BRB não divulga resultados desde o segundo trimestre de 2025.

Ao final da oitiva, Vorcaro reiterou que será inocentado e que cada órgão deverá assumir sua responsabilidade. Em outro trecho, ao defender a situação financeira do Master, afirmou que todos os negócios estão registrados em seu celular, que descreveu como “maldição” e “bênção”.

“Como eu disse outro dia, meu celular é minha maldição, minha bênção. E tá lá os negócios. É negócio com um, é negócio com outro, é negócio de mineração, é negócio de turismo, todos os negócios lá. É crédito fulano, é crédito ciclano, é carteira de crédito”, afirmou.



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