Vorcaro ameaça incluir site em inquérito das fake news após negociação frustrada

Diálogos em mensagens de WhatsApp reproduzidos em decisão do STF mostram irritação do banqueiro com veículo de notícias que publicou matérias negativas
Por: Carol Barbalho 05.mar.2026 às 10h59
Vorcaro ameaça incluir site em inquérito das fake news após negociação frustrada
Foto: Gustavo Moreno/STF
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ameaçou incluir um site de notícias no Inquérito das Fake News (nº 4.781), do Supremo Tribunal Federal (STF), após uma negociação de parceria não ser concluída. A ameaça consta em mensagens de WhatsApp obtidas pela Polícia Federal e reproduzidas na decisão do ministro André Mendonça que autorizou a prisão preventiva de Vorcaro e outros investigados na Operação Compliance Zero.

Em diálogo com Mourão, Vorcaro expressa frustração com editores de um site que recusaram uma proposta financeira. Mourão relata: "Eles estavam pedindo o dobro do valor que oferecemos. Tem alguém pagando para os editores publicarem matérias sua e do banco".
Vorcaro responde: "Estão achando que estão mexendo com menino. Agora não quero mais. Vão entrar no processo fake news. Vou fechar esse site. Manda deixar a matéria. Esses otários".

O contexto das mensagens indica que o site em questão publicava reportagens consideradas negativas à imagem de Vorcaro e do Banco Master. A ameaça refere-se ao inquérito aberto em 2019 pelo STF, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, para investigar disseminação de notícias falsas, ataques à Corte e ameaças a ministros.

O jornalista Glenn Greenwald publicou no X (antigo Twitter) trechos da decisão judicial, incluindo outro diálogo em que Vorcaro explica a divisão de um milhão de reais recebido: "Eu divido entre a turma. Mando para eles. 400 dividido entre 6. Os meninos mando 75 pra cada, o meu. O DCM e mais dois editores. É este o mensal". Greenwald relacionou o caso a tentativas de sigilo sobre investigações do Banco Master e ataques do DCM contra a jornalista Malu Gaspar, do O Globo.

O DCM (Diário do Centro do Mundo) publicou nota negando qualquer recebimento de pagamentos ou envolvimento nos fatos. O veículo afirmou que a sigla "DCM" mencionada nas mensagens não identifica o Diário do Centro do Mundo, sua razão social ou integrantes da equipe, e que não há transcrição judicial que o relacione diretamente.


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