Vereadora do MBL lança petição contra petista preso por suposta ligação com o PCC

Amanda Vettorazzo pede o afastamento e a cassação do mandato de Senival Moura, detido em operação que investiga um esquema de lavagem de dinheiro na Transunião
Por: Brado Redação 03.nov.2026 às 10h33
Vereadora do MBL lança petição contra petista preso por suposta ligação com o PCC
Reprodução

A vereadora Amanda Vettorazzo (União Brasil), ligada ao Movimento Brasil Livre (MBL), lançou um abaixo-assinado para solicitar o afastamento do vereador Senival Moura (PT) da Câmara Municipal de São Paulo. O parlamentar foi preso preventivamente no âmbito da Operação Última Parada, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) na empresa de ônibus Transunião, uma das concessionárias que operam na capital paulista.

Antes de lançar a petição popular, Vettorazzo já havia protocolado um requerimento formal solicitando a cassação do mandato de Moura e seu afastamento cautelar dos cargos de primeiro-secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica. O petista está em seu sexto mandato na Casa.

Moura foi detido na manhã da última quarta-feira. Esta é a segunda prisão no mesmo processo. A primeira ocorreu em 25 de junho, durante uma operação conjunta do Deic e do Ministério Público de São Paulo. Em 5 de agosto, ele foi solto por decisão da desembargadora Carla Rahal Benedetti, da 11ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo. As investigações apontam que ele seria o “dono oculto” da Transunião e atuaria na lavagem de recursos para o PCC.

A nova prisão ocorreu após o envio do relatório final da investigação à Justiça. A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo solicitaram a prisão preventiva dos cinco alvos iniciais da operação, além da inclusão de outros dois nomes. A defesa do vereador nega qualquer envolvimento com organização criminosa ou participação em esquema de lavagem de dinheiro. O advogado Marcio Sayeg argumenta que o pedido de prisão não apresenta fundamentação concreta suficiente e que a prisão preventiva não pode funcionar como antecipação de pena nem ser decretada automaticamente em razão da gravidade das acusações. Em nota, a defesa afirma que Moura mantém sua declaração de inocência e está confiante de que a verdade será esclarecida ao longo do processo.

Quando foi preso pela primeira vez, em junho, as autoridades o apontaram como o “dono oculto” da Transunião. Relatórios do Deic identificaram um núcleo paralelo que tomava decisões sobre a empresa de transporte público com o objetivo de lavar dinheiro do PCC. Na ocasião, a Justiça determinou o sequestro e o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias ligadas aos investigados, além de 117 veículos, 21 imóveis — entre eles, um sítio de alto padrão no sul de Minas Gerais — e três embarcações.

O envolvimento do PCC na concessionária passou a ser investigado a partir da morte de Adauto Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, ocorrida em 2025. Os investigadores reuniram elementos que indicam que a empresa era utilizada no esquema, que, segundo as apurações, teria movimentado mais de R$ 300 milhões no sistema de transportes de São Paulo.



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