Vinte estados e o Distrito Federal tiraram, em matemática, notas menores do que o perfil socioeconômico dos estudantes indicaria no Pisa. O cálculo foi feito pelo Iede a partir de dados como escolaridade dos pais, ocupação da família e bens em casa, incluindo internet e livros.
O Pisa é a prova da OCDE aplicada a jovens de 15 anos de escolas públicas e particulares. A edição mais recente reuniu 91 países. O recorte estadual brasileiro não era publicado desde 2015.
O “zero” da escala corresponde ao perfil médio dos países da OCDE. Com esse ajuste, o Paraná segue na frente: é o único a superar a expectativa nas três disciplinas. Em matemática, ficou 15 pontos acima do previsto.
Ceará, Minas Gerais e Piauí também renderam mais do que o contexto social sugeriria. O Ceará fez 363,3 pontos em matemática — número baixo se visto isoladamente, mas o segundo melhor do país no recorte socioeconômico, 10,5 pontos acima da meta.
Roraima teve o pior resultado relativo nas três áreas. Em matemática, ficou 50,2 pontos abaixo do esperado. Estados do Norte concentram as maiores diferenças negativas: Roraima, Tocantins, Amapá e Amazonas.
O Rio de Janeiro, segundo maior PIB do país, ficou aquém do previsto em duas das três disciplinas. Especialistas apontam atraso em políticas como a escola de tempo integral, avançadas em Ceará, Pernambuco e Paraíba.
São Paulo lidera em números brutos (403,8 em matemática, 433,7 em leitura e 442,6 em ciências), mas perde o posto de “vice” quando o contexto entra na conta. Em matemática, superou a expectativa por apenas 2,3 pontos — quase o desempenho “esperado” para a sua realidade.
Em leitura, 24 das 27 unidades da Federação ficaram acima do projetado. O Paraná liderou com 59 pontos a mais. Minas Gerais (+52,9) e Ceará (+49,7) vieram na sequência. Só Roraima, Tocantins e Mato Grosso ficaram abaixo; neste último, a diferença foi de apenas 1 ponto.
Em ciências, o Paraná novamente liderou (+39,8), seguido por Minas Gerais (+29,6) e São Paulo (+27,3). Roraima ficou 40,4 pontos abaixo. O Distrito Federal, apesar da nota alta em valores absolutos, ficou 0,5 ponto aquém do esperado.
O indicador socioeconômico resume três eixos: maior escolaridade entre pai e mãe convertida em anos de estudo; status ocupacional mais alto da família (escala ISEI); e recursos em casa, como livros, espaço para estudar, computador e internet.
Comparar 2015 e 2025 sem a margem de erro da OCDE pode enganar. As amostras estaduais são pequenas e os intervalos de confiança se sobrepõem na maior parte das comparações. Ainda assim, o Paraná alcançou 462 em ciências e 458 em leitura. Mesmo no piso do intervalo, ultrapassa 450 — marca inédita para um estado brasileiro.
São Paulo só tem evolução estatisticamente confirmada em ciências no período de dez anos. Em matemática e leitura, os intervalos se cruzam: pode ter havido alta, estabilidade ou queda.
Katia Smole, do Instituto Reúna, lembra que a dificuldade em matemática começa cedo. Sem frações e proporções bem aprendidas, o aluno trava na álgebra. Claudia Costin afirma que quatro horas de aula por dia mal passam da memorização de fórmulas. Ricardo Henriques, do Instituto Unibanco, diz que um resultado acima do projetado sugere política capaz de reduzir o peso da desigualdade; abaixo, indica que recursos e capacidades não viram aprendizagem.
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