Trump exclui carne, café e frutas do novo tarifaço contra o Brasil

Proposta de 25% do governo americano poupa produtos estratégicos para os EUA e ainda depende de consulta ao setor privado.
Por: Brado Jornal 02.jun.2026 às 10h48
Trump exclui carne, café e frutas do novo tarifaço contra o Brasil
Getty Images
O governo de Donald Trump concluiu nesta terça-feira (2) uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil e propôs uma tarifa geral de 25% sobre diversos produtos brasileiros. No entanto, a medida deixa de fora itens essenciais para o mercado americano, como carnes, café, frutas e minerais.

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) identificou no Brasil práticas consideradas “não razoáveis” que supostamente prejudicam o comércio americano. A proposta ainda passará por consulta ao setor privado antes da decisão final, prevista para 15 de julho.

A lista de exceções inclui principalmente bens que os Estados Unidos não produzem em quantidade suficiente ou dependem das importações brasileiras. Entre os principais produtos poupados estão:
  • Carnes — frescas, congeladas, resfriadas, processadas, com ou sem osso, além de miúdos, carnes secas e defumadas;
  • Frutas — laranja (incluindo suco e polpa), banana, abacaxi, manga, coco, goiaba, tomate, mandioca e nozes como castanha-do-pará e caju;
  • Café — torrado, descafeinado, extratos, essências, concentrados e preparações à base de café (exceto instantâneo não aromatizado), além de chá, especiarias e mate;
  • Minerais e combustíveis — minérios de ferro, manganês, cobre, alumínio, terras-raras, carvão, petróleo bruto e gás natural;
  • Medicamentos — produtos com antibióticos, vitaminas e vacinas para humanos e animais;
  • Aviação — equipamentos e peças para fabricação de aeronaves;
  • Metais preciosos — ouro, prata e moedas;
  • Papel e madeira — celulose, papéis diversos e madeiras tropicais.
A medida faz parte da estratégia de Trump para reforçar barreiras comerciais após derrotas judiciais internas nos EUA. Em vez de tarifas amplas e generalizadas, o governo americano tem adotado investigações específicas por país para justificar novas cobranças.

A aplicação das tarifas não é imediata. Após a consulta pública, o relatório definitivo deve ser divulgado até meados de julho. A proposta atual ainda pode sofrer ajustes conforme o feedback do setor privado americano.

O caso reforça as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, mas preserva o fluxo de produtos chave para a economia norte-americana, evitando impactos diretos sobre consumidores e indústrias dos EUA que dependem dessas importações.


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