Uma sindicância recomenda ao São Paulo a revisão de contratos firmados por diretores ligados a irregularidades

Recomendação aponta revisão de acordos e possível exclusão de envolvidos do conselho
Por: Evelyn Santos 15.jan.2026 às 10h16
Uma sindicância recomenda ao São Paulo a revisão de contratos firmados por diretores ligados a irregularidades
Camarote "3A" do Morumbis — Foto: ge
Uma investigação interna realizada por escritório especializado sugere que o São Paulo Futebol Clube revise integralmente os contratos assinados por Douglas Schwartzmann e Mara Casares, figuras centrais no caso de comercialização irregular de camarote no Morumbis durante o show da Shakira.

Os dois ex-dirigentes Douglas Schwartzmann, que atuava como diretor adjunto de futebol de base até 2025, e Mara Casares, ex-diretora feminina, cultural e de eventos, além de ex-esposa do presidente Julio Casares já se encontram afastados de suas funções. Mara Casares também está licenciada do Conselho Deliberativo. A sindicância, que confirmou irregularidades na cessão e exploração do espaço, recomenda ainda a análise de contratos com participação de Rita de Cassia Adriana Prado, intermediária no episódio.

De acordo com o relatório, ambos devem enfrentar a punição mais grave prevista no regimento interno do clube. Pelo artigo 10 da Seção IV, que trata de "praticar ato de gestão irregular ou temerária", a penalidade é a "eliminação", ou seja, a exclusão do quadro associativo. O caso segue para a Comissão Disciplinar e de Ética.

O foco da apuração é o camarote 3A, localizado no setor leste do estádio e identificado internamente como "sala presidência" um espaço próximo ao escritório do presidente Julio Casares, usado para reuniões e entrevistas. Esse local foi cedido de forma não oficial e explorado comercialmente.

No áudio obtido exclusivamente e divulgado em dezembro, os então diretores reconhecem a irregularidade:

  • "a utilização do camarote foi feita de maneira 'não normal' e que 'todo mundo ganhou' no episódio."
Douglas Schwartzmann menciona que o superintendente Marcio Carlomagno teria conhecimento e concedido o espaço a Mara Casares:

– "Eu não tenho camarote lá. Veio de quem? O que vai acontecer: a Mara vai ter que se explicar. Como é que faz no clube a hora que souber que ela te deu um camarote para explorar? Você vai acabar com a vida da Mara dentro do clube. E do Julio, porque ela é (ex) mulher do Julio.

– E o Marcio vai ser mandado embora, porque foi ele quem concedeu o camarote para ela (Mara). Eu não tenho nada com isso, não tenho meu nome em nada. Não peguei camarote nenhum, não tenho nenhum documento lá. Agora, a Mara tem e o Marcio também. Quer prejudicar a Mara e o Marcio? Só queria entender o que você quer fazer com isso."

Em outro trecho, ele admite benefícios:

– "E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem."

A intermediária Rita de Cassia Adriana Prado foi responsável pela venda dos ingressos, que alcançaram valores de até R$ 2,1 mil cada. Apenas nesse camarote, o faturamento estimado foi de R$ 132 mil no show da Shakira, em fevereiro. O episódio gerou um processo judicial, com boletim de ocorrência registrado, envolvendo alegações de furto de ingressos e pressões para retirada da ação.

O caso ganhou desdobramentos, com o Ministério Público requisitando inquérito policial para investigar as condutas, e o clube abrindo sindicâncias interna e externa (com auditoria independente) logo após a revelação. O São Paulo nega existência de esquema oficial e afirma que adotará medidas conforme os resultados. O episódio ocorre a um ano das eleições para a presidência, intensificando debates internos sobre transparência e gestão.


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