Justiça bloqueia R$ 112 milhões de Augusto Lima em fundo da Reag antes da Operação Compliance Zero

Ex-sócio do Banco Master teve valores encontrados pela 22ª Vara Cível de São Paulo em abril de 2025; bloqueio durou oito dias e ocorreu em ação de execução de dívida ligada à venda do Banco Voiter
Por: Brado Jornal 19.jan.2026 às 09h24
Justiça bloqueia R$ 112 milhões de Augusto Lima em fundo da Reag antes da Operação Compliance Zero
Reprodução
Meses antes de se tornar alvo da Operação Compliance Zero, o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima teve R$ 112 milhões bloqueados pela Justiça de São Paulo.
A medida foi determinada em 29 de abril de 2025 pela 22ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), em uma ação de execução de dívida movida pela família Rezende Barbosa, ex-proprietária do Banco Voiter, vendido ao Master em 2024.

O bloqueio visava garantir o pagamento de uma dívida original de R$ 470,5 milhões.
Durante a busca por bens, a Justiça localizou valores em diversas instituições financeiras em nome de Augusto Lima, com a maior parte concentrada na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.:

R$ 112,8 milhões na Reag Trust DTVM (maior fatia encontrada);
R$ 484 mil no Bradesco;
R$ 317,4 mil no Santander;
R$ 274,41 no Banco do Brasil;
R$ 2,3 mil no Master;
R$ 0,44 no Pluxee IP.

A restrição durou apenas oito dias, pois as partes chegaram a um acordo preliminar que suspendeu a medida. A defesa de Augusto Lima informou que não comentará o caso.

O fundo Reag, onde estava aplicado o valor principal, foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 15 de janeiro de 2026, tornando-se alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero.
O BC justificou a liquidação por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”. O fundador da Reag, João Carlos Mansur, foi alvo de busca e apreensão na operação, assim como o empresário Nelson Tanure.

A Reag Investimentos havia crescido exponencialmente entre 2020 e 2025, multiplicando o patrimônio sob gestão de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões. No entanto, o sucesso veio acompanhado de investigações ligadas à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e à Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.

Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, foi preso preventivamente em novembro de 2025 durante a primeira fase da Compliance Zero, que apura fraudes financeiras, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro estimados em bilhões de reais. Ele foi solto posteriormente, mas o caso continua sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), com relatoria do ministro Dias Toffoli.

A família Rezende Barbosa retomou cobranças contra Vorcaro, Augusto Lima e Maurício Quadrado após a liquidação do Master, pleiteando agora R$ 247,3 milhões em dívidas não quitadas conforme acordos anteriores.
O episódio destaca as conexões entre instituições financeiras investigadas e reforça o escrutínio sobre movimentações bilionárias no setor antes das intervenções do BC e da PF. 


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