O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou que o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) se encontra em situação migratória irregular no país e responde a um processo de deportação. A posição foi enviada ao Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e publicada na quarta-feira, 21 de outubro, pela Agência Pública, parceira da investigação.
Segundo o porta-voz do órgão, Ramagem entrou legalmente nos EUA em 11 de setembro de 2025, com autorização para permanecer seis meses, mas “optou por permanecer ilegalmente além do prazo autorizado”. O DHS também afastou o argumento de que o pedido de asilo político feito por Ramagem regularize sua permanência. Um pedido pendente “não confere nenhum tipo de status legal”, afirmou o órgão, que acrescentou que o ex-deputado poderá ser detido ou deportado e terá direito ao devido processo legal.
Ramagem, que dirigia a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro, foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em abril, mas solto dois dias depois. Ele aguarda o desfecho do processo. Desde abril, aliados sustentam que o pedido de asilo em análise garantiria permanência regular. A posição é defendida, entre outros, pelo jornalista Paulo Figueiredo, interlocutor do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos EUA.
O processo de deportação tramita em separado do pedido de extradição que o Brasil protocolou no Departamento de Estado em dezembro do ano passado, segundo o Ministério da Justiça. Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Ele deixou o Brasil pela fronteira com a Guiana e é considerado foragido pela Justiça brasileira.
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