Um bombardeio russo atingiu, na segunda-feira, uma escola que funcionava como ponto de distribuição de ajuda humanitária na vila de Komyushuvakha, na região de Zaporizhzhia, no sul da Ucrânia. O ataque deixou 31 mortos e pelo menos 50 pessoas desaparecidas. Equipes de resgate e voluntários continuam as buscas nesta terça-feira entre os escombros da instalação, que também servia de abrigo, na tentativa de localizar sobreviventes. Novos corpos foram retirados dos destroços e transportados envoltos em lençóis plásticos brancos.
O chefe interino da administração militar da região, Mykhailo Semikin, descreveu a dimensão da tragédia como assustadora e classificou o episódio como um dos mais graves em número de vítimas civis na área desde o início da guerra em grande escala. Entre os mortos estão quatro policiais e dois integrantes das equipes de resgate. Pelo menos outras cinco pessoas ficaram feridas. Autoridades informaram que a Rússia utilizou bombas capazes de perfurar bunkers, carregadas com quase 1,5 tonelada de explosivos. Três dias de luto foram decretados na região de Zaporizhzhia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, repudiou o ataque nas redes sociais e em um pronunciamento em vídeo. Segundo ele, a região foi atingida várias vezes por bombas aéreas. O primeiro bombardeio teria como alvo a escola utilizada para atividades humanitárias, onde as pessoas recebiam ajuda. Após o impacto inicial, um segundo ataque, com outras nove bombas, atingiu especificamente o abrigo onde as pessoas haviam buscado proteção. Zelensky afirmou que o episódio demonstra que Moscou está empenhada em matar pessoas, em vez de dar continuidade a missões humanitárias, como a realizada na semana passada em Oleshky. “Os russos continuam a demonstrar, repetidas vezes, seu ódio pela Ucrânia e por tudo o que existe aqui”, declarou.
Além do ataque em Zaporizhzhia, a Rússia lançou durante a noite 289 drones de ataque, 17 mísseis balísticos e 59 mísseis de cruzeiro contra nove regiões da Ucrânia, segundo Zelensky. A ofensiva provocou cortes emergenciais de energia, danificou hospitais e deixou dezenas de feridos. Na região nordeste de Kharkiv, um ataque combinado de mísseis e drones deixou pelo menos 62 pessoas feridas. Uma unidade de saúde no distrito de Nemyshlianskyi foi danificada, assim como quatro prédios residenciais e veículos. Mais de 200 pacientes precisaram ser transferidos para outras unidades.
Na região de Dnipro, uma pessoa morreu e outras 17 ficaram feridas. Uma mulher foi retirada com vida dos escombros na manhã desta terça-feira. O ataque também atingiu uma clínica ambulatorial e um hospital, cujos pacientes precisaram ser transferidos. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou, nesta terça-feira, que derrubou 856 drones ucranianos durante a noite. O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que 493 drones foram lançados em direção à capital russa. Na cidade de Yaroslavl, um ataque de drones ucranianos atingiu uma refinaria de petróleo e feriu dois funcionários, além de provocar danos à infraestrutura da instalação. Na Crimeia, território ocupado pela Rússia, foram implementados cortes de energia nas regiões sul, oeste e leste após ataques à infraestrutura energética.
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...