A Polícia Civil do Ceará procura João Munhoz Neto, namorado da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, encontrada morta no domingo (13) no pátio do Condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza. Equipes tentaram localizá-lo neste domingo (20) e não o encontraram. A Secretaria da Segurança Pública não informou o motivo das buscas nem o classificou como suspeito.
No início da noite, a polícia localizou a mãe dele na praia do Cumbuco, em Caucaia. Cumpriu mandado de busca e apreensão e recolheu o celular e um tablet da mulher para perícia. Ela também não foi apontada como investigada ou suspeita.
Vídeos das câmeras do prédio cobrem o intervalo entre 17h58 e 22h48. Isabelle entra pela portaria com bolsa e mala, encontra o namorado e sobe com ele. Por volta das 18h32, ele aparece na portaria e deixa o condomínio de carro com a mãe. Às 19h12, Isabelle é filmada sozinha no elevador, com o celular na mão, rumo ao 23º andar, onde fica o rooftop. A perícia indica que o óbito ocorreu por volta das 20h40. O namorado retorna às 22h48, quando a polícia já estava no local.
O laudo cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte, com lesões compatíveis com impacto contra o solo. Exames preliminares não indicaram agressões posteriores à queda. O toxicológico deu negativo. Neste domingo houve nova perícia em áreas comuns e no apartamento, nova coleta de vestígios de DNA e imagens com drone. Relatos da investigação apontam ausência de marcas de luta no imóvel. A dinâmica ainda não está fechada.
O celular de Isabelle foi recuperado e será periciado. A advogada da família, Patrícia Viana, afirmou que a jovem chegou ao IML sem documentos e que a defesa ainda não teve acesso integral às câmeras. Disse também que reúne áudios e relatos sobre o namoro para enviar à polícia. Segundo ela, testemunhas descrevem controle da rotina da estudante, inclusive restrições e alegação de rastreador no telefone.
A mãe, a professora Isorlanda Caracristi, esteve com a filha no domingo. Por volta das 19h recebeu mensagens, uma sobre comida deixada na airfryer e outra com o texto “mãe, eu te amo”. Depois disso, o contato cessou. Ela disse ter sido bloqueada pelo namorado, não ter sido avisada da morte pela família dele e ter sabido no dia seguinte, pela síndica. Relatou ainda que ninguém do núcleo do namorado foi ao enterro.
Isabelle cursava o segundo semestre de Direito e havia começado estágio em julho no escritório onde conheceu João Munhoz Neto, de 33 anos, bacharel em Direito sem inscrição na OAB, segundo apurações. O namoro começou em poucos dias e ela passou a morar no apartamento dele com a mãe e o irmão. Quatro pessoas já depuseram; outras quatro oitivas estão marcadas. O caso tramita na 2ª Delegacia da Capital.
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