Agentes do Gaeco do Ministério Público de São Paulo e da Receita Federal saíram às ruas nesta quinta-feira, 24 de setembro, para a terceira etapa da Operação Carbono Oculto. A ofensiva cumpre 27 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
A investigação examina uma suposta organização criminosa no setor de combustíveis. O foco recai sobre a forma como o grupo teria assumido o controle da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana, e sobre mecanismos usados para ocultar patrimônio e lavar recursos.
Segundo o Ministério Público, executivos do mercado financeiro teriam papel central no desenho da estrutura. Entre os alvos das diligências desta fase estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, diretor do Banco Genial; seus irmãos André e Bruno Tupinambá; e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, da Entre Investimentos. Freixo firmou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no caso do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Os investigados teriam montado uma malha societária e financeira sofisticada para disfarçar a compra da distribuidora. Fundos de investimento, sociedades recém-criadas e operações consideradas atípicas teriam servido para esconder os reais controladores. Entre as estruturas apontadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além das empresas Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda., constituídas pouco antes da transação.
Mais de R$ 120 milhões teriam circulado por contas de passagem e empresas intermediárias, como Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi, antes de chegar ao arranjo que formalizou a aquisição da Terrana.
Relatórios do Coaf, documentos bancários, dados fornecidos pelo Banco Genial, análises de movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em etapas anteriores sustentam as suspeitas. Conversas indicariam o uso de laranjas para mascarar quem de fato comandava os ativos.
A operação aponta Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, como líderes da organização. Eles não figuram na lista de alvos das buscas desta fase.
Os mandados foram expedidos pela 2ª Vara Criminal de Catanduva. Também atuam na ação a Procuradoria-Geral do Estado, a Secretaria da Fazenda de São Paulo e as polícias Civil e Militar.
As defesas do Banco Genial, da Entre Investimentos e da Terrana foram procuradas, mas ainda não se manifestaram publicamente até o momento da divulgação.
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