Nesta quinta-feira (5), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e a Polícia Civil deflagraram a segunda fase da Operação Laziosi. A ação tem como alvo um esquema de comercialização de medicamentos oncológicos falsificados e suspeitas de lavagem de dinheiro. Foram cumpridos três mandados de prisão preventiva, em Araraquara e na capital paulista, além de 18 mandados de busca e apreensão em municípios do interior de São Paulo e na capital. A Justiça determinou ainda o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados e a suspensão das atividades de sete empresas.
Os presos são Nalva Braz do Nascimento, Petter Gabriel Cavalcante Chagas e Sharlene Chaves Barbosa. Segundo a investigação, Nalva controlava a distribuidora Nacionalfarma, Petter mantinha a relação com o mercado hospitalar e Sharlene participava das operações financeiras por meio de empresas interligadas.
A investigação indica que uma dose de medicamento falsificado chegou a ser administrada em um paciente. Em abril de 2025, a distribuidora vendeu nove unidades de outro medicamento oncológico, posteriormente identificado como falso, a um hospital particular em Araras. Uma das unidades foi administrada, enquanto as demais foram recolhidas e substituídas por um lote que correspondia a uma carga roubada em 11 de novembro de 2024, em Uberaba (MG). Os produtos são de alto custo e destinados ao tratamento de cânceres avançados em pacientes gravemente debilitados, especialmente nos casos de tumores de pulmão, melanoma, rim, cabeça e pescoço, estômago e esôfago.
Documentos mostram que a Nacionalfarma continuou em atividade mesmo após a primeira fase da operação, realizada em novembro de 2024. Em março deste ano, a Vigilância Sanitária de Araraquara informou que a empresa permanecia ativa e que sua responsável dificultava as fiscalizações. Uma diligência realizada em outubro confirmou que a distribuidora continuava operando.
O caso teve início em 2024, quando um fabricante identificou a venda de um imunoterápico falsificado a um hospital da capital paulista por uma distribuidora de Araraquara. Laudos apontaram a ausência do princípio ativo e confirmaram a falsificação. A empresa atuava em conjunto com uma rede de firmas interligadas, algumas sem estrutura operacional nos endereços declarados. Apenas entre janeiro e novembro de 2024, as vendas declaradas do medicamento ultrapassaram R$ 1,5 milhão para clientes de pelo menos sete estados.
De acordo com o Gaeco, a nova fase busca interromper a atividade criminosa, considerada uma ameaça a pacientes em tratamento contra o câncer, além de garantir a recuperação de bens e valores obtidos pelo grupo. As investigações prosseguem com a análise do material apreendido. A operação é coordenada pelo núcleo de Ribeirão Preto do Gaeco, em parceria com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter 3).
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