Sidônio falha em alavancar Lula após cinco meses na Secom

Sidônio, engenheiro de formação, defendeu um modelo de sucesso baseado em comunicação, gestão e política, mas a estratégia não decolou
Por: Brado Jornal 17.jun.2025 às 10h50
Sidônio falha em alavancar Lula após cinco meses na Secom
Ueslei Marcelino - 14.jan.25/Reuters

Cinco meses após assumir a Secretaria de Comunicação (Secom) do governo Lula (PT), em janeiro de 2025, o ministro Sidônio Palmeira não conseguiu reverter a queda de popularidade do presidente nem definir uma identidade clara para o terceiro mandato. A promessa inicial de recuperar a aprovação de Lula em 90 dias, apresentada em reunião ministerial, esbarrou em crises constantes, falta de apoio no Congresso e ausência de iniciativas marcantes.

Pesquisa Datafolha recente aponta Lula com 40% de reprovação, contra 28% de aprovação, o pior índice de seus três mandatos. Aliados do presidente admitem que a exaltação de programas antigos, mesmo revitalizados após a gestão Bolsonaro (PL), não engaja a população. Novos programas são lançados, mas sem impacto significativo.

Sidônio, engenheiro de formação, defendeu um modelo de sucesso baseado em comunicação, gestão e política, mas a estratégia não decolou. Seu estilo centralizador e exigente tem gerado atrasos em campanhas publicitárias, cujos cronogramas são ajustados em meio a crises como as do INSS e IOF. Em uma reunião tensa, o ministro pediu união para priorizar o governo, mas a descoordenação persiste.

O edital para a comunicação digital, prometido por Sidônio em sua posse, só deve ser lançado nesta semana, com conclusão prevista para outubro ou até dezembro. A demora frustra expectativas, já que o processo anterior, de R$ 197,7 milhões, foi descartado. O ritmo lento das campanhas preocupa aliados, pois impacta o orçamento publicitário para o ano eleitoral de 2026.

A equipe de Lula aposta em maior exposição do presidente em eventos e entrevistas, como sugeriu Sidônio ao afirmar, no primeiro mês, que Lula seria o “motor” da comunicação. Contudo, a agenda presidencial, sobrecarregada por crises, limita essa estratégia. Aliados apontam a necessidade de reorganizar a “cozinha” do Planalto para evitar problemas previsíveis.

Críticas à comunicação crescem entre petistas, que veem a direita mais articulada nas redes sociais. A base governista, ampliada com setores conservadores, dificulta a defesa de medidas progressistas, como taxar grandes fortunas. Sidônio, marqueteiro de Lula em 2022, mantém proximidade com o presidente, participando de reuniões frequentes, mas não conseguiu resultados concretos.

O evento “O Brasil Dando a Volta por Cima”, idealizado por Sidônio em abril, tentou destacar ações do governo, mas não reverteu a impopularidade. Com pouco mais de seis meses até o fim de 2025, prazo que o ministro definiu para “vencer o debate”, o cenário permanece desafiador para Lula e sua equipe.




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