Lula discute sucessão de Barroso com ministros do STF

Encontro reservado busca acelerar escolha para vaga na Corte
Por: Brado Jornal 15.out.2025 às 10h13
Lula discute sucessão de Barroso com ministros do STF
Antônio Cruz/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou, na noite de terça-feira (14), um encontro sigiloso no Palácio da Alvorada com diversos integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). O foco principal da conversa foi a escolha do sucessor para a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, cuja aposentadoria se efetiva no próximo sábado (18). Auxiliares do governo pressionam para que a decisão ocorra ainda nesta semana, evitando prolongadas disputas internas no Executivo e no campo progressista.

Entre os presentes, destacaram-se os ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, além de Ricardo Lewandowski, atual titular da pasta da Justiça. Antes do jantar com os magistrados, Lula despachou com Jorge Messias, chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) e principal nome na preferência presidencial para ocupar o posto na Suprema Corte. Essa reunião prévia não figurou na agenda oficial, assim como o próprio encontro noturno.

A saída antecipada de Barroso, anunciada na quinta-feira (9), representa a terceira indicação de Lula ao STF em seu mandato atual. Ao longo de seus três governos, o petista terá preenchido todas as 11 cadeiras da Corte. A pressa na definição visa mitigar tensões políticas, especialmente com o Senado, onde o indicado precisará passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça e aprovação em plenário.

Gilmar Mendes, decano da Corte e participante da reunião, defende outro candidato: o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Correndo por fora, aparecem nomes como o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas e o corregedor-geral da União Vinícius Carvalho. Há, ainda, apelos para que Lula opte por uma mulher, com Daniela Teixeira, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), como alternativa forte nessa linha. A cantora Anitta, por exemplo, manifestou publicamente o desejo de que a escolha recaia sobre uma jurista feminina.

Durante viagem à Itália, concluída na segunda-feira, Lula comentou o tema ao ser questionado por jornalistas. "Acho que o Brasil tem uma coisa muito interessante. As pessoas acham que podem decidir pelo governo. Indicar ministro do STF é uma tarefa eminentemente do presidente da República", declarou. Ele acrescentou que esperava o pedido de aposentadoria de Barroso, mas não com tamanha celeridade, e planeja consultar aliados governistas antes de bater o martelo.

A indicação rápida contrasta com escolhas anteriores de Lula, como a de Flávio Dino para a vaga de Rosa Weber, que levou 59 dias, ou a de Cristiano Zanin, que demandou 51 dias. Analistas apontam que Barroso, conhecido por pautas progressistas como o apoio ao casamento homoafetivo e aos direitos das mulheres, deixa um legado que pode influenciar o perfil do substituto, impactando deliberações futuras na Corte.


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