O Ministério da Justiça e Segurança Pública anunciou a aquisição de 40 smart TVs de 65 polegadas para implementar sessões de cinema em presídios federais e estaduais. A medida, divulgada nesta quinta-feira (15 de janeiro de 2026), integra o programa “Cinema na Cela”, que pretende promover atividades culturais e educativas entre a população carcerária.
Segundo a pasta, as televisões serão instaladas em salas multifuncionais de unidades prisionais selecionadas, com exibição de filmes nacionais e documentários que abordem temas de cidadania, direitos humanos e reinserção social. O investimento total não foi divulgado, mas o custo unitário médio de uma smart TV de 65 polegadas gira em torno de R$ 4 mil a R$ 6 mil, o que pode elevar o gasto público a cerca de R$ 200 mil apenas com os aparelhos.
A iniciativa gerou críticas imediatas de especialistas e parlamentares da oposição, que questionam a prioridade do gasto em um contexto de crise no sistema penitenciário brasileiro. Presídios continuam superlotados, com déficit de vagas que ultrapassa 200 mil em todo o país, além de problemas crônicos como falta de água potável, higiene precária, violência entre detentos e ausência de assistência médica e psicológica adequada.
“O dinheiro poderia ser usado para melhorar a segurança, ampliar celas ou contratar mais agentes penitenciários. Cinema é importante, mas não resolve o caos que existe nas cadeias”, afirmou o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), em pronunciamento nas redes sociais. Outros críticos apontam que o programa pode servir mais como propaganda do que como política efetiva de ressocialização, especialmente quando faltam vagas em cursos profissionalizantes, oficinas de trabalho e programas de saúde mental.
O Ministério da Justiça defende que a atividade cultural contribui para a redução de tensões no ambiente prisional e para a formação cidadã dos internos. A pasta afirma que as TVs serão usadas também para transmissões educativas e que o programa será monitorado para avaliar seu impacto na reinserção social.
A medida ocorre em um momento de pressão crescente sobre o governo Lula por resultados concretos no combate à criminalidade e à superlotação carcerária. Enquanto isso, o anúncio das smart TVs reforça o debate sobre escolhas orçamentárias: investir em entretenimento ou priorizar soluções estruturais para um dos maiores problemas do sistema de justiça brasileiro.
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