MP denuncia mãe de Adriano da Nóbrega por lavagem de dinheiro do miliciano

Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora de Flávio Bolsonaro, é acusada junto com viúva e deputado federal em esquema ligado ao jogo do bicho e patrimônio ilícito
Por: Brado Redação 19.mar.2026 às 17h24
MP denuncia mãe de Adriano da Nóbrega por lavagem de dinheiro do miliciano
Foto: Edilson Rodrigues/Agencia Senado

O Ministério Público do Rio de Janeiro apresentou denúncia contra 19 pessoas, incluindo Raimunda Veras Magalhães — mãe do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega —, por participação em organização criminosa dedicada à lavagem de dinheiro proveniente principalmente do jogo do bicho.

Raimunda, que atuou como assessora parlamentar do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Assembleia Legislativa do Rio entre abril de 2016 e novembro de 2018, já respondia a processo anterior por suposto envolvimento em esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio. Nesse caso anterior, ela e a primeira esposa de Adriano, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega — que também foi lotada no mesmo gabinete —, receberam juntos mais de R$ 1 milhão em salários sem comparecer ao trabalho, conforme apuração do MP.

Adriano da Nóbrega, expulso da Polícia Militar do Rio por envolvimento com contravenções, comandava pontos de jogo do bicho em Copacabana, em parceria com o bicheiro Bernardo Bello. Após sua morte em 2020 durante operação policial na Bahia — quando estava foragido há mais de um ano —, a estrutura criminosa continuou ativa e se sofisticou, segundo o Gaeco do MPRJ.

A viúva de Adriano, Julia Lotufo, figura como uma das principais denunciadas. O MP afirma que ela assumiu a liderança do grupo após o falecimento do miliciano, controlando contabilidade, ativos e operações que incluíam agiotagem, contravenção e movimentação irregular no mercado imobiliário. Julia teria vendido imóveis avaliados em R$ 3,5 milhões, supostamente pertencentes a Adriano e oriundos de crimes, ao deputado federal Rogério Teixeira Júnior, conhecido como Juninho do Pneu (União Brasil-RJ). Ambos são acusados de conhecerem a origem ilícita dos bens.

A denúncia divide-se em três ações penais: uma sobre lavagem de recursos do jogo do bicho na Zona Sul; outra referente à atuação da organização criminosa associada a Adriano; e a terceira sobre tentativas de levantar capital com a venda do patrimônio do grupo.

Quatro empresas de fachada movimentaram R$ 8,5 milhões, incluindo um depósito de bebidas, um bar, um restaurante e um quiosque de design de sobrancelhas em shopping da Zona Norte, que sozinho movimentou cerca de R$ 2 milhões em créditos em apenas seis meses.

Na manhã desta quinta-feira (19), o Gaeco cumpriu dois mandados de prisão e seis de busca e apreensão na operação Legado, direcionados a membros da mesma rede criminosa.

Adriano da Nóbrega era investigado pelo Gaeco desde antes de sua morte. Preso em duas ocasiões — na operação Tempestade no Deserto (2011), que atingiu cúpula do jogo do bicho, e na Intocáveis (2019), que desarticulou milícia em Rio das Pedras e Muzema —, ele aparecia em escutas como “Capitão Adriano” ou “Gordinho”. Suspeito de liderar o “Escritório do Crime”, grupo acusado de dezenas de homicídios, era considerado extremamente violento por investigadores.

Apesar da expulsão da PM, Adriano recebeu homenagens na Alerj quando Flávio Bolsonaro era deputado estadual. O caso da “rachadinha” no gabinete de Flávio, que teve Fabrício Queiroz como figura central, acabou arquivado após anulação de provas pelo STJ e STF. Queiroz, amigo da família Bolsonaro, tentou vaga na Câmara Federal em 2022 sem sucesso e, em 2024, foi eleito suplente de vereador em Saquarema (PL), onde hoje ocupa cargo de subsecretário de Segurança e Ordem Pública na gestão do prefeito Lucimar Vidal (PL).

As defesas de Julia Lotufo e Raimunda Magalhães não foram localizadas para manifestação. Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, informou não ter conhecimento da denúncia e preferiu não comentar. Juninho do Pneu também não se pronunciou até o momento. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.



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