O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso em Orlando por autoridades americanas devido à permanência irregular no país. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) confirmou que ele está sujeito a processo de deportação.
De acordo com documento obtido com exclusividade, Ramagem entrou nos Estados Unidos em 11 de setembro de 2025 com visto B-2 de turista, cuja validade expirou em 10 de março de 2026. O texto oficial determina que o brasileiro “está sujeito à remoção dos Estados Unidos, nos termos da Lei de Imigração e Nacionalidade”.
A prisão foi realizada pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE), que o encaminhou para um centro de detenção. Ramagem perdeu o passaporte diplomático após a cassação de seu mandato pela Câmara dos Deputados em dezembro de 2025.
Ele está em solo americano desde setembro de 2025. A saída do Brasil aconteceu de forma clandestina durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que o condenou a 16 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito.
Investigações da Polícia Federal indicam que Ramagem cruzou a fronteira entre Roraima e a Guiana pela cidade de Bonfim, em dezembro de 2025. No mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes proferiu seu voto pela condenação, o magistrado decretou a prisão preventiva do então parlamentar. Após atravessar o rio que divide os dois países, ele seguiu para Miami.
No território norte-americano, Ramagem passou a residir com a esposa e os filhos.
A Polícia Federal destacou, em nota oficial, que a captura resultou de “cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades dos EUA”. A instituição brasileira reforçou que o ex-deputado é considerado foragido da Justiça após a condenação.
Em 30 de dezembro de 2025, o Ministério da Justiça enviou pedido formal de extradição à Embaixada do Brasil em Washington, que repassou a solicitação ao Departamento de Estado americano.
Delegado de carreira da Polícia Federal, Alexandre Ramagem assumiu a direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) entre julho de 2019 e março de 2022, durante o governo Jair Bolsonaro.
Ele integrou o círculo próximo do ex-presidente ao coordenar a segurança pessoal de Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018. Em 2020, Bolsonaro tentou nomeá-lo diretor-geral da PF, mas a indicação foi suspensa por decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
A medida atendeu a ação do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e considerou declarações do então ministro da Justiça, Sergio Moro. Moro acusou o presidente de buscar interferir nas investigações da corporação para proteger o filho Flávio Bolsonaro.
Eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2022 com 59 mil votos, Ramagem concorreu à Prefeitura do Rio em 2024 pelo PL, com apoio da família Bolsonaro. Eduardo Paes (PSD) venceu no primeiro turno, enquanto Ramagem obteve 30,81% dos votos.
Em dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados cassou seu mandato parlamentar após a condenação pelo STF no inquérito que apurava a trama golpista.
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