Segundo o levantamento, pessoas de outros municípios podem ter sido colocadas na folha do Fundeb 70% para reforçar a base política de Carlos Augusto Silveira Sobral, o Carlinhos Sobral. Ele é ex-prefeito da cidade, foi chefe de gabinete e é pré-candidato a deputado estadual em 2026. A Polícia Federal já abriu inquérito.
O caso ganhou força com um áudio divulgado em outubro de 2025. A voz, atribuída a Josiano Lima Rodrigues, o “Josa do BTN”, suplente de vereador em Paulo Afonso, diz que Sobral lhe dava R$ 3 mil por mês desde janeiro.
Na folha da prefeitura, Josa aparece como agente administrativo temporário da Secretaria de Educação. Ele foi admitido em 3 de fevereiro de 2025 e recebia R$ 2.003,12 líquidos.
O jornalista organizou duas listas.
A primeira tem 222 pessoas identificadas, com endereço em mais de 50 cidades da Bahia. Elas receberam R$ 2.859.742,85 em 2025. Nessa relação há candidatos que perderam a eleição de 2024, parentes e assessores de vereadores e pessoas de grupos que depois apoiaram Sobral.
A segunda lista tem 99 pessoas sem endereço eleitoral ou residencial identificado. Esse grupo recebeu R$ 1.087.451,08.
No total, são 321 nomes e R$ 3.947.193,93 pagos na folha direta do Fundeb 70% em 2025.
Lei mudou depois da primeira reportagem
A primeira reportagem saiu em 24 de outubro de 2025. Cinco dias depois, a prefeitura protocolou um projeto para ampliar o trabalho remoto. Em novembro, o texto virou a Lei 515/2025 e passou a valer para efetivos, comissionados e contratados.
Depois de uma denúncia no Tribunal de Contas dos Municípios da Bahia (TCM-BA), o prefeito teria sido chamado a se explicar três vezes. Segundo decisão do tribunal, não houve resposta de mérito.
Em dezembro de 2025, a prefeitura contratou a Santorini Serviços Ltda. para fornecer mão de obra à Educação. A empresa também aparece nos registros como Santorini Construção e Transportes Ltda.
A medição de janeiro de 2026 cita 150 assistentes administrativos, 55 auxiliares, 4 recepcionistas, 57 motoristas e 126 vigias. Também há 15.040 horas extras para 392 trabalhadores. O valor da medição passa de R$ 1,83 milhão.
R$ 14,1 milhões até julho de 2026
Dados do sistema Sigá, do TCM-BA, mostram dois contratos com a Santorini:
- contrato 182/2025: R$ 13.725.512,62
- contrato 181/2025: R$ 388.863,68
O total é de R$ 14.114.376,30, pagos com recursos do Fundeb até julho de 2026. Somando com os quase R$ 4 milhões da folha de 2025, o conjunto passa de R$ 18 milhões.
A prefeitura não enviou ao TCM a lista com o nome de cada terceirizado. Os relatórios mostram só cargo, quantidade e horas. Sem os nomes, não é possível conferir quem recebeu e se essas pessoas de fato trabalharam no município.
Uma fonte ligada a lideranças do interior da Bahia disse que, depois dos acordos políticos, Rosana Lisboa — também encontrada na folha do Fundeb — recolhia os documentos dos indicados e enviava para o setor de Recursos Humanos da prefeitura.
Sobral foi chefe de gabinete no período investigado. Em 30 de março de 2026, ele foi exonerado para se desincompatibilizar da eleição. Em 10 de abril, a mulher dele, Jaqueline Rios Lima Sobral, assumiu o mesmo cargo.
O caso foi levado ao Ministério Público Federal pela Notícia de Fato 1.14.004.000043/2026-51. Depois disso, a Polícia Federal instaurou inquérito.
A PF deve verificar se houve pagamento sem trabalho, fraude em contrato ou uso da prefeitura para montar apoio eleitoral. Até agora, não há indiciamento nem condenação. Vale a presunção de inocência.
A denúncia é de autoria do jornalista Marcelo Santos, DRT 7598/BA, do @portaljoaosanoticias.
Nota de Carlos Augusto Silveira Sobral
Em respeito aos ouvintes, Carlos Augusto Silveira Sobral repudia as insinuações contidas na reportagem elaborada por Marcelo Santos, que tenta transformar conjecturas, coincidências temporais e relatos não comprovados em responsabilidade pessoal.
Em 2025, Carlos Sobral não era prefeito nem ordenador de despesas do Município de Coronel João Sá. Embora tenha exercido a Chefia de Gabinete, jamais administrou recursos do FUNDEB, comandou a folha da Educação, nomeou os servidores mencionados, contratou a empresa Santorini ou autorizou qualquer dos pagamentos citados. A responsabilidade por atos administrativos deve ser individualizada, e a reportagem não apresenta uma única assinatura, ordem ou autorização praticada por Carlos Sobral.
O áudio atribuído a “Josa do BTN” não é acompanhado de perícia ou comprovação de autenticidade e menciona valor diferente daquele registrado na folha. Do mesmo modo, domicílio em outro município não prova ausência de trabalho, e relato de fonte anônima não constitui prova.
As despesas informadas não demonstram qualquer desvio, participação ou benefício de Carlos Sobral.
A Polícia Federal ainda investiga os fatos. Não há, na reportagem, indiciamento, denúncia, condenação ou decisão que atribua crime a Carlos Sobral. Investigação não é sentença.
Carlos Sobral apoia a apuração séria, mas não aceitará que Marcelo Santos utilize suposições como instrumento de ataque eleitoral. As sucessivas publicações e impulsionamentos negativos já foram submetidos à Justiça Eleitoral, e serão adotadas as demais medidas cabíveis.
Solicita-se que este posicionamento seja veiculado integralmente, sem cortes que alterem seu sentido.
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