Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta terça-feira (22) na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Foi a 10ª vez que ele abre o debate. Além da agenda internacional, reservou trecho para temas internos que também estão na campanha. Faltam 12 dias para o 1º turno, em 4 de outubro. Pesquisas recentes mostram disputa apertada com Flávio Bolsonaro.
O uso da tribuna para política doméstica não é novo. Em 2022, Jair Bolsonaro falou em ter extirpado a “corrupção sistêmica”, criticou Lula e a esquerda enquanto pedia reeleição. Agora, Lula deixou as eleições para o fim. Disse que o país vai decidir em outubro entre democracia e negacionismo e que não permitirá que inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A palavra “democracia” saiu cinco vezes. Afirmou que a democracia brasileira pertence aos brasileiros.
Antes, defendeu o Pix como infraestrutura pública e gratuita e disse que o Brasil não cederá a multinacionais que querem privatizá-lo. Ligou o tema à regulação de big techs e inteligência artificial, chamada de omissão histórica e “neoliberalismo digital sem regras”.
Sobre apostas online, afirmou que as bets transformam vício em lucro e que não vai tolerar esse modelo. O governo prepara medida provisória para endurecer regras ainda nesta semana, com possibilidade de banir o cassino online, o “jogo do tigrinho”.
Voltou a defender o fim da escala 6x1, apresentada como alívio à sobrecarga doméstica das mulheres. A proposta passou pela CCJ do Senado em setembro, mas a base recuou por falta de votos, depois de articulação da oposição liderada por Flávio e Rogério Marinho. O tema só volta depois do 1º turno. Também citou o feminicídio e o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado em fevereiro.
Na segurança, disse que o Brasil não precisa de porta-aviões vigiando suas águas e pediu cooperação contra o fluxo de armas e dinheiro do crime. Foi resposta indireta a Donald Trump, que na semana passada acusou o governo de falhar contra PCC e Comando Vermelho, tratados pelos EUA como terroristas. Relatório reservado da Abin, no fim de agosto, classificou como crítico o risco de interferência americana no pleito, citando sanções e a política tarifária. Flávio negou ajuda de Washington. Os EUA, numa minuta de outubro de 2025, teriam exigido que o Brasil deixasse “dissidentes políticos” concorrer em 2026.
No restante do discurso, Lula se apresentou como operário eleito três vezes, que lutou contra a ditadura e derrotou um golpe. Falou em multilateralismo corroído, OMC “respirando por aparelhos” e tarifas usadas como chantagem. Cobrou reforma do Conselho de Segurança e disse que o veto deu às potências o “privilégio da insensatez”. Afirmou que o Brasil não cabe no quintal de ninguém e que o povo venezuelano merece definir o próprio destino. Chamou de genocídio a ofensiva israelense em Gaza, pediu dois Estados, diplomacia na Ucrânia e criticou a escalada no estreito de Ormuz. Citou a Lei Antifacção e a operação de 2025 contra o crime organizado. Defendeu a agenda climática, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre e a queda do desmatamento na Amazônia ao menor nível em 11 anos. Falou em colocar o pobre no Orçamento, na Aliança Global contra a Fome e no embargo a Cuba como ilegal.
Na bancada estavam Janja, Audo Faleiro, o embaixador Sérgio Danese, Wellington Dias, Mauro Vieira e Celso Amorim. Lula chegou no domingo e deve voltar nesta terça. Antes, viu Yamandú Orsi, Zohran Mamdani, Bernie Sanders e António Guterres.
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