ONU abre Assembleia sob crise de credibilidade

Falta de pagamento dos Estados Unidos, veto no Conselho de Segurança e pressão de Trump marcam a reunião em Nova York
Por: Brado Redação 21.set.2026 às 09h10
ONU abre Assembleia sob crise de credibilidade

O aperto de caixa já define o clima da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que começa nesta terça-feira, em Nova York. O secretário-geral António Guterres alertou duas vezes neste ano para o risco de colapso financeiro. A principal causa é o atraso na contribuição obrigatória dos Estados Unidos, maior pagador do sistema.

Washington depositou nesta semana US$ 725 milhões para reduzir o débito e manter o direito de voto. Segundo o porta-voz Farhan Haq, ainda restam US$ 1,312 bilhão. Os cortes já reduziram em 19% o quadro de funcionários, diminuíram o número de agências humanitárias e missões de paz e obrigaram a repatriação de 13 mil militares.

A fragilidade orçamentária se soma à paralisia política. A organização reúne 193 países, mas o poder de veto de cinco membros do Conselho de Segurança concentra as decisões. Três consultas informais não produziram acordo sobre quem substituirá Guterres, cujo mandato de dez anos termina em dezembro. Qualquer indicação depende do aval de Donald Trump, Xi Jinping e Vladimir Putin. Até o momento, nenhum nome desponta como favorito.

Trump volta ao púlpito depois de retirar os Estados Unidos de 31 entidades da ONU e de tentar criar um mecanismo paralelo, o Conselho da Paz, que fracassou. O presidente americano pretende ofuscar a semana com dois anúncios: um acordo com a Dinamarca e a Groenlândia, a ser fechado na própria Nova York, e o primeiro encontro com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, após a invasão ao país e a captura de Nicolás Maduro, em janeiro.

A fala de Trump ocorrerá logo após a de Luiz Inácio Lula da Silva e deve atrair público. Tarifas e cobranças a aliados que não apoiaram a ofensiva contra o Irã, iniciada em fevereiro por Estados Unidos e Israel, já não intimidam como antes. As críticas à atuação da organização cresceram com o conflito.

Parceiros tradicionais mudaram de rota. O Canadá deixou de lado o rótulo de 51º estado americano, usado por Trump, e aceitou ser o primeiro membro associado da União Europeia, após convite feito por Ursula von der Leyen. A oscilação de Washington empurrou aliados para outros agrupamentos.

No domingo, António Costa, Lula, William Ruto e Mark Carney publicaram, no Financial Times, o lançamento dos Parceiros pelo Multilateralismo (P4M). A iniciativa pretende reunir governos dispostos a reformar a ONU e outras instituições, sob o argumento de que um sistema desconectado da realidade atual não resiste ao tempo.

Os quatro defenderam a renovação sem abrir mão da Carta das Nações Unidas. Listaram como inegociáveis a igualdade soberana, a integridade territorial, a solução pacífica de controvérsias, a proibição da ameaça ou do uso da força, o direito internacional humanitário, o desenvolvimento sustentável, os direitos humanos e as liberdades fundamentais.

A Assembleia começa, assim, entre dívidas, sucessão emperrada e disputa por protagonismo. De um lado, está o esforço para preservar o multilateralismo. De outro, a pressão do principal contribuinte para esvaziar a própria organização.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Meloni anuncia teto de estrangeiros nas escolas
Primeira-ministra italiana também quer banir burca e niqab em sala de aula e exigir que pais com dificuldades de integração aprendam italiano
Carregando..