Países da coalizão Escudo das Américas formalizaram na terça-feira (22) um acordo para tratar facções do narcotráfico como ameaça compartilhada e submetê-las a sanções. Entre os 24 grupos citados estão o PCC e o CV, organizações brasileiras.
O bloco nasceu em março de 2026, em encontro de líderes na Flórida convocado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A reunião ocorreu em resort de propriedade do próprio republicano.
Integram o grupo governos alinhados à Casa Branca. O Brasil não foi convidado. Também ficaram de fora, na origem, líderes de esquerda como Claudia Sheinbaum (México), Gustavo Petro (Colômbia) e Delcy Rodríguez (Venezuela). A Colômbia entrou depois, com a posse de Abelardo de la Espriella.
Os integrantes atuais são Estados Unidos, Argentina, Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru.
O comunicado de sanções traz ainda República Dominicana e Trinidad e Tobago. O texto afirma que organizações narcoterroristas transnacionais ameaçam a paz, a segurança e a prosperidade do hemisfério. Os signatários anunciam a intenção de congelar bens, restringir vistos e imigração de integrantes e apoiadores, e responsabilizar criminalmente quem der suporte material, inclusive logístico.
A primeira rodada de medidas vale para as 24 organizações listadas, qualquer que seja o nome usado em cada país. O documento prevê acionar mecanismo de reciprocidade da Organização dos Estados Americanos.
Na Assembleia Geral da ONU, Trump voltou ao tema do tráfico. Comparou cartéis ao Estado Islâmico no Hemisfério Ocidental e disse que as Forças Armadas dos EUA foram usadas para combater gangues. Prometeu acabar com o que chamou de interferência externa na região e não descartou o uso de poder militar.
Analistas ligam a aliança à chamada Doutrina Donroe, leitura contemporânea da Doutrina Monroe do século 19, que trata as Américas como área de influência dos Estados Unidos. Integrantes do governo americano costumam chamar o continente de “nosso quintal”.
O discurso de Trump contrastou com o de Luiz Inácio Lula da Silva, que falou pouco antes na mesma tribuna. O presidente brasileiro defendeu multilateralismo, soberania e não interferência. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, afirmou.
Washington passou a classificar as facções brasileiras como terroristas globais. Brasília discorda. Na lei brasileira, terrorismo envolve violência por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia ou religião, com o fim de gerar terror social.
Em reunião no Ministério da Justiça no ano passado, o então secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sabbataro, disse a uma comitiva americana que essas organizações não têm viés ideológico, político ou religioso e visam crimes e lavagem de dinheiro, sem pretensão de mudar o sistema.
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