Cresce o número de artistas que cancelam ou declinam shows no São João da Bahia

Dívidas de edições anteriores e limite de cachês geram impactos na programação das festas juninas de 2026
Por: Carol Barbalho 11.mai.2026 às 20h27 - Atualizado: 11.mai.2026 às 20h29
Cresce o número de artistas que cancelam ou declinam shows no São João da Bahia
Reprodução / Instagram

O São João da Bahia enfrenta um aumento de casos envolvendo artistas que cancelam apresentações ou se recusam a fechar contratos para as festas de 2026. O principal polo da capital, no Parque de Exposições, foi cancelado pelo Governo do Estado, com a justificativa de que recursos serão realocados para outras cidades do interior. O prefeito de Salvador, Bruno Reis, atribuiu a decisão à falta de pagamentos a artistas de anos anteriores, o que levou muitos a evitarem novos compromissos sem garantias financeiras.


Cantores e bandas relatam atrasos significativos. O cantor Kevin Jonny denunciou publicamente que muitos profissionais não receberam pelos shows realizados desde 2023. Segundo ele, o problema atingiu cerca de 70% das apresentações em 2024 e chegou a 80% em 2025, afetando não apenas cachês, mas também equipes técnicas e estruturas envolvidas nas produções.


A situação levou a recusas generalizadas. Diversos artistas passaram a exigir garantias de pagamento antes de confirmar presença, o que contribuiu diretamente para o cancelamento do evento no Parque de Exposições. Prefeituras do interior também registram temores de novos cancelamentos de contratos já firmados, com possíveis mudanças na programação e prejuízos para a cadeia produtiva do forró.


Outro fator que influencia as contratações é a recomendação do Ministério Público da Bahia, junto ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que estabeleceu um teto de atenção de R$ 700 mil para cachês de artistas nas festas juninas de 2026. Contratos acima desse valor exigem justificativas mais rigorosas e maior fiscalização.


O ativista e pré-candidato à Presidência Renan Santos tem realizado uma série de denúncias sobre o uso de recursos públicos em cachês elevados para shows em prefeituras de municípios pobres, especialmente no Nordeste. Suas exposições sobre contratos milionários, como os de Wesley Safadão, geraram maior fiscalização por parte do Ministério Público e dos Tribunais de Contas, sendo apontadas por diversos veículos e prefeituras como fator contribuinte para o “efeito Renan Santos”, maior rigor nas contratações e recomendações de suspensão ou ajustes em vários eventos juninos na Bahia.


O cantor Xand Avião confirmou que não realizará nenhum show no São João da Bahia em 2026, marcando a primeira vez em 24 anos de carreira sem apresentações no período junino no estado. A declaração foi feita durante entrevista nos bastidores da Festa da Cebola, em João Dourado. O artista, que se apresentou em ao menos seis cidades baianas no ano anterior com cachê de R$ 700 mil por show, lamentou a ausência.


Levantamentos de edições anteriores mostram que, em 2025, 47 contratações ultrapassaram esse limite, totalizando cerca de R$ 38 milhões. Nomes como Wesley Safadão (com cachês de R$ 1,1 milhão), Jorge e Mateus, Nattan, Ana Castela, Simone Mendes e outros figuraram na lista de valores mais altos. Com a nova regra, vários desses artistas podem ficar de fora ou ter suas contratações reduzidas, o que tem gerado ajustes nas grades de programação.


As prefeituras baianas e a União dos Prefeitos da Bahia (UPB) discutem medidas para priorizar artistas locais e do forró tradicional, garantindo maior transparência nos gastos públicos. Enquanto isso, o São João segue com programações confirmadas em diversos municípios, mas com o cenário de incertezas sobre a presença de grandes atrações nacionais. O evento continua sendo uma das principais manifestações culturais do Nordeste, com impactos econômicos e turísticos relevantes para a região.



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