Infantino estuda vender cotas da Copa a investidores privados

Projeto prevê a criação de subsidiária da Fifa e inclui familiar de Trump; Uefa reage com forte oposição
Por: Brado Redação 29.jul.2026 às 10h46
Infantino estuda vender cotas da Copa a investidores privados
Foto: Karim JAAFAR / AFP

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, analisa a venda de participações comerciais da Copa do Mundo a um grupo de investidores privados. Entre os interessados está Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro e ex-conselheiro de Donald Trump.

A proposta prevê a criação de uma empresa subsidiária da entidade para administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e da Copa do Mundo de Clubes. O objetivo é ampliar as receitas e atrair capital privado. A Fifa afirma que os investidores terão apenas participação minoritária, entre 20% e 30%, e que a entidade manterá o controle total sobre a organização das competições, o calendário e as decisões esportivas e regulatórias.

Joshua Kushner, à frente da Thrive Eternal, é apontado como favorito para liderar o grupo de investidores. Seu irmão, Jared, não participa da operação. O JP Morgan atua como assessor financeiro, e Greg Maffei, ex-CEO da Liberty Media, controladora da Fórmula 1, também participa da estruturação do projeto.

A aproximação entre Infantino e o entorno de Trump se intensificou durante a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, no Canadá e no México. O projeto foi apresentado aos membros da Fifa na véspera da final, em Nova York. Caso avance, a operação poderá movimentar até US$ 4,2 bilhões e avaliar a nova empresa em cerca de US$ 20 bilhões. Com isso, cada uma das 211 associações nacionais receberia imediatamente US$ 20 milhões, com valores crescentes nos ciclos seguintes.

A iniciativa enfrenta forte resistência da Uefa. A entidade europeia classificou a proposta como "extremamente séria" e afirmou que "a alma e a governança do futebol não são ativos negociáveis". Confederações europeias discutem até mesmo um possível boicote à Copa do Mundo de 2030, marcada para Espanha, Portugal e Marrocos.

A aprovação depende do Conselho da Fifa e da maioria das associações-membro. O plano também é visto como um possível caminho para que Infantino assuma o comando da nova empresa após o fim de seu mandato, previsto para 2031.



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