A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira mandados de busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda, figura próxima ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), apura a suposta devassa em dados sigilosos de jornalistas e executivos.
A operação investiga o uso de plataformas ilegais para obter informações financeiras, familiares e patrimoniais com o objetivo de intimidar alvos considerados “obstáculos”. Entre eles está a colunista Malu Gaspar, do GLOBO, e o CEO do Itaú, Milton Maluhy. A Procuradoria-Geral da República (PGR) apoiou os pedidos da PF, que classificou as ações como de alto grau de periculosidade, com contornos de organização criminosa.
De acordo com a decisão de Mendonça, Miranda atuava de forma central, coordenando buscas, analisando processos antigos e repassando dados sensíveis a Vorcaro. As conversas revelam planos para “revirar a vida” da jornalista e encontrar “elementos desabonadores”. O publicitário também teria usado recursos de supostas fraudes do banco para campanhas de desinformação.
O inquérito aponta que o grupo buscava proteger interesses do Banco Master, que enfrentou crise financeira e foi liquidado pelo Banco Central. A PF menciona possível crime de invasão de dispositivo informático (art. 154-A do Código Penal).
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) condenou os métodos como “mafiosos” e cobrou proteção aos profissionais de imprensa. O GLOBO repudiou a perseguição e reafirmou o compromisso com o jornalismo independente.
A defesa de Miranda afirmou não ter acesso ao material citado e repudiou vazamentos seletivos. As buscas incluem apreensão de celulares, documentos e extração de dados na nuvem. As investigações prosseguem para esclarecer toda a extensão dos fatos.
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