PF mira Cezinha de Madureira em operação sobre emendas

Terceira fase da Transparência cumpre quatro mandados no Distrito Federal e em São Paulo sob suspeita de tráfico de influência
Por: Brado Redação 14.set.2026 às 09h37
PF mira Cezinha de Madureira em operação sobre emendas
Reprodução

Quatro mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, começaram a ser cumpridos nesta segunda-feira, 14 de setembro, no Distrito Federal e em São Paulo. A ação integra a terceira etapa da Operação Transparência e tem entre os alvos o deputado federal Cezinha de Madureira, do PL de São Paulo.

A Polícia Federal apura se integrantes de um grupo cobraram quantias elevadas sob o pretexto de conseguir influenciar decisões de tribunais superiores em processos que ainda tramitam. Os valores seriam condicionados ao resultado das ações judiciais. A corporação ressalta que não há indícios de participação de membros do Poder Judiciário nos fatos investigados.

Os crimes sob análise são exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A ofensiva desta segunda-feira é desdobramento de uma apuração aberta em dezembro de 2025 para examinar irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

A reportagem tentou contato com Cezinha de Madureira, mas, até o momento, não houve resposta. A operação segue em andamento, e novas informações podem ser incorporadas.

O grupo, segundo as investigações, teria negociado com terceiros o pagamento de quantias expressivas em troca da promessa de interferir no rumo de processos em curso. A Polícia Federal descreve a conduta como uma tentativa de explorar prestígio e traficar influência junto a instâncias judiciais de hierarquia elevada.

A Operação Transparência nasceu da suspeita de desvio na aplicação de recursos de emendas. Nesta terceira fase, o foco também se voltou para a suposta venda de influência sobre decisões judiciais. Os mandados autorizados por Flávio Dino alcançam endereços no Distrito Federal e no estado de São Paulo.

Cezinha de Madureira figura entre as pessoas visadas pelas diligências. Os agentes federais buscam documentos e outros elementos que possam confirmar ou afastar as suspeitas de que o grupo oferecia, mediante pagamento, a possibilidade de alterar o desfecho de ações ainda não julgadas.

A nota da Polícia Federal deixa claro que a apuração não aponta, até agora, envolvimento de magistrados. O que se investiga é a conduta de particulares e eventuais intermediários que teriam se apresentado como capazes de interferir em tribunais superiores.

A investigação original, iniciada em dezembro do ano passado, concentrava-se na forma como as emendas parlamentares eram direcionadas. O desdobramento atual amplia o escopo para incluir a cobrança de valores atrelados a resultados processuais. Os quatro mandados cumpridos nesta segunda-feira representam a materialização dessa nova etapa.

Enquanto as buscas ocorrem, o deputado paulista ainda não se pronunciou publicamente. A Polícia Federal mantém sob sigilo informações sobre outros possíveis alvos e sobre o conteúdo específico dos mandados, limitando-se a informar o número de diligências e os estados em que elas acontecem.

A terceira fase da Operação Transparência ocorre em um momento em que o Supremo Tribunal Federal já havia autorizado as medidas cautelares. Flávio Dino assinou as ordens de busca que agora são executadas por equipes da Polícia Federal em Brasília e em São Paulo.

O relato policial indica que o grupo não se limitava a tratar de emendas. Havia, segundo a apuração, uma segunda linha de atuação: oferecer a terceiros a possibilidade de influenciar decisões judiciais mediante o pagamento de valores elevados e condicionados ao êxito das causas.

Essa combinação — irregularidades na destinação de emendas e suposta venda de influência — levou à deflagração da nova etapa. Os agentes recolhem materiais que possam demonstrar a existência dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A operação permanece em andamento. Novos alvos ou mandados podem surgir à medida que as buscas avançam. Por enquanto, o que está confirmado é a realização de quatro diligências, a participação de Cezinha de Madureira entre os investigados e a origem da apuração em uma investigação iniciada em dezembro de 2025 sobre emendas parlamentares.

A Polícia Federal evita qualquer associação entre os fatos apurados e integrantes do Judiciário. O destaque recai sobre o grupo que teria se apresentado como capaz de interferir em processos em andamento e, ao mesmo tempo, sobre as suspeitas que cercam a aplicação dos recursos de emendas.

Cezinha de Madureira, parlamentar do PL eleito por São Paulo, tornou-se o nome público mais citado nesta fase da Operação Transparência. As equipes cumpriram os mandados em dois entes da Federação sob autorização do ministro Flávio Dino.

O desenrolar das buscas deve trazer mais detalhes sobre a estrutura do grupo e sobre a forma como os valores seriam cobrados. Até lá, a operação segue como a terceira ofensiva de uma investigação que começou no fim de 2025 e agora alcança também a suspeita de tráfico de influência junto a tribunais superiores.



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