Hugo Motta se reúne com Bolsonaro para discutir anistia a presos do 8 de Janeiro

Presidente da Câmara ainda resiste à pauta direta e sugere diálogo com Senado, Executivo e STF
Por: Brado Jornal 10.abr.2025 às 09h32
Hugo Motta se reúne com Bolsonaro para discutir anistia a presos do 8 de Janeiro
Alan Santos/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reuniu na tarde desta quarta-feira (9), em Brasília, com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para discutir o projeto de lei que propõe anistia aos presos pelos atos do 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas por manifestantes.

A reunião, confirmada pela assessoria do parlamentar, ocorre em meio a uma mobilização do Partido Liberal, que busca alcançar as 257 assinaturas necessárias para levar o texto diretamente ao plenário da Casa, por meio de um requerimento de urgência. Segundo o PL, o projeto já conta com 246 assinaturas, restando apenas 11 para atingir o quórum mínimo.

O encontro foi uma tentativa do ex-presidente Bolsonaro de sensibilizar Motta a colocar o projeto em votação. No entanto, segundo aliados de ambos, o presidente da Câmara ainda não está convencido de que o tema deva ser deliberado diretamente pelo plenário. Ele teria sugerido que a proposta seja, inicialmente, discutida em uma comissão especial, onde poderia ser aprimorada e debatida com mais profundidade.

Além disso, Hugo Motta teria defendido a necessidade de diálogo com os demais Poderes, especialmente o Senado Federal, o Executivo e até o Supremo Tribunal Federal (STF), antes de avançar com qualquer votação. A ideia seria buscar uma costura política mais ampla para garantir que a proposta tenha viabilidade e não aprofunde ainda mais as tensões entre os Poderes.

O projeto de anistia ganhou força após a repercussão de casos como o da cabeleireira Débora Rodrigues, condenada a 14 anos de prisão por envolvimento nos atos, mesmo sem histórico criminal. O caso deu origem à chamada “Marcha do Batom”, marcada para este domingo (13) em Curitiba, e foi abraçado por apoiadores de Bolsonaro e figuras como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Apesar do apoio da base conservadora, há resistência dentro do Congresso, inclusive entre partidos de centro e centro-direita, que veem a anistia como um possível afronta ao Judiciário e temem os impactos institucionais da medida.

A movimentação de Hugo Motta indica que, mesmo com apoio significativo, o projeto ainda enfrenta obstáculos políticos e jurídicos antes de avançar no Legislativo. O desfecho deve depender não apenas do número de assinaturas, mas da habilidade do presidente da Câmara de articular um consenso nacional em torno de um tema sensível e polarizador.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Rogério Marinho recusa assinar impeachment de Alexandre de Moraes
Senador do PL classifica as denúncias como gravíssimas, mas diz que sua assinatura poderia ser usada depois para anular o processo no Senado
Rejeição a Jerônimo sobe no interior e aliados evitam o governador nas redes
MDB, PSD e Avante integram a coligação, mas candidatos a deputado não publicam fotos com o petista. Prefeitos procuram ACM Neto e Coronel em sigilo. Clima é comparado ao de 2006 — só que invertido.
Carlinhos Sobral é alvo de investigação sobre uso eleitoral do Fundeb em Coronel João Sá; político nega
Denúncia aponta 321 nomes na folha da Educação e R$ 14,1 milhões pagos a empresa terceirizada; total passa de R$ 18 milhões. Ex-prefeito diz que não assinou pagamentos e chama reportagem de ataque eleitoral.
Carregando..