Deputados driblam proibição de nepotismo e contratam primos para cargos na Câmara

Apesar de vedação legal a parentes de até 3º grau, parlamentares empregam familiares mais distantes como secretários; prática levanta debate sobre brechas éticas e legais
Por: Brado Jornal 14.abr.2025 às 07h36
Deputados driblam proibição de nepotismo e contratam primos para cargos na Câmara
Lula Marques/Agência Brasil

Mesmo com regras claras contra o nepotismo, deputados federais encontraram uma brecha para manter parentes próximos em seus gabinetes. Um levantamento do portal Metrópoles revelou que, ao menos em dois casos na Câmara dos Deputados, parlamentares contrataram primos como secretários parlamentares — prática que, embora questionável, não é vedada por lei.

O deputado Antonio da Cruz Filgueira Neto, conhecido como Marreca Filho (PRD-MA), mantém em seu gabinete a secretária parlamentar Iasmin Andrade Filgueira Alvarenga, que, segundo apuração, é sua prima. Com salário bruto superior a R$ 7,5 mil, Iasmin atua no cargo desde fevereiro de 2023.

Procurado, o gabinete de Marreca afirmou que a contratação “segue critérios técnicos e legais”. A nota também destaca que o grau de parentesco entre os dois é de 5º grau, o que não fere a Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que restringe apenas contratações de cônjuges, irmãos e parentes até o 3º grau.

Caso semelhante ocorre no gabinete do deputado Rodrigo Valadares (União-SE), vice-líder da minoria na Câmara. Desde março de 2023, ele emprega o primo Leonardo Reis Valadares como secretário parlamentar, com salário bruto de R$ 2,8 mil. Questionado sobre os critérios da nomeação, o gabinete não se pronunciou até o fechamento desta reportagem.

A legislação proíbe expressamente a nomeação de parentes de até 3º grau para cargos na administração pública direta e indireta, abrangendo todos os poderes e esferas de governo. No entanto, a regra não alcança relações familiares mais distantes, como a de primos, o que abre margem para contornar o espírito da lei.

A situação reacende o debate sobre os limites da ética na nomeação de comissionados e sobre como a legalidade, por si só, pode não ser suficiente para garantir a impessoalidade na administração pública. Mesmo respaldadas juridicamente, tais contratações levantam dúvidas quanto à moralidade e à transparência na gestão de recursos públicos.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Vitória do 13
O resultado das urnas confirma a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela Presidência da República.
Operação do transporte público no 2º turno motiva ordem de prisão e acionamento do TSE na Bahia
Retenção da frota de ônibus em Salvador leva a decisão judicial contra secretário municipal e pedido de extensão do horário de votação em três municípios baianos
Flávio Bolsonaro é intimado pela PF para entregar passaporte
Senador investigado em dois inquéritos no STF deve entregar documentos para evitar saída do país
B3 aciona circuit breaker após reeleição de Lula
Queda de 10% no Ibovespa interrompe pregão antes da abertura; juros futuros também disparam
Lula precisa remanejar R$ 20 bi em 2027
Reajuste do Bolsa Família, Desenrola e promessas de campanha exigem ajustes nas contas federais
Lula avançou sobre Flávio em 97% das cidades e virou em 213 municípios
Presidente reeleito inverteu resultado no Rio de Janeiro e em Macapá e conquistou 10,3 milhões de votos a mais entre os turnos
Carregando..