O reajuste do Bolsa Família deve gerar um impacto de R$ 22,7 bilhões, enquanto a terceira edição do programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas, está estimada em R$ 5 bilhões. Esses valores integram o conjunto de medidas anunciadas nas últimas semanas que levarão o governo reeleito de Luiz Inácio Lula da Silva a realocar cerca de R$ 20 bilhões no Orçamento de 2027. A projeção, feita pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, equivale a pouco mais de 1% das despesas primárias sujeitas ao limite de gastos previsto para o próximo ano.
Além das despesas já previstas, o Palácio do Planalto terá de acomodar compromissos assumidos na reta final da disputa eleitoral. Entre eles estão a ampliação do Pé-de-Meia para estudantes universitários e a criação do Pix MEI, que prevê transferências de até R$ 5 mil para microempreendedores individuais. Antes do segundo turno, o presidente também encaminhou ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição que assegura transporte público gratuito nos fins de semana. Para financiar a gratuidade, o texto destina 26,8% do valor reservado às emendas parlamentares, o equivalente a R$ 12 bilhões em 2027.
No lado da receita, o fim das bets representará uma perda de R$ 5,3 bilhões para a União no próximo ano. Em 2026, as iniciativas de crédito, as renúncias fiscais e as medidas com efeito sobre a despesa primária mobilizaram cerca de R$ 298 bilhões em meio à tentativa de reeleição. Apesar dos custos, a equipe econômica afirma que a meta de superávit de 0,5% do PIB para 2027 — cerca de R$ 73,2 bilhões — será mantida, preservando a estratégia fiscal da atual gestão.
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