Os juros futuros dispararam nesta segunda-feira, sob forte pressão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A alta foi tão intensa que as taxas sofreram correções acentuadas e enfrentaram dificuldades para operar, ao atingir repetidamente os limites de oscilação da B3, que já haviam sido ampliados duas vezes naquela manhã.
Paralelamente, a Bolsa de Valores de São Paulo suspendeu as negociações de ações na manhã de 26 de outubro devido ao acionamento do circuit breaker, após o Ibovespa registrar queda de 10% em relação à sessão anterior. O mecanismo foi ativado pela primeira vez na história antes mesmo do início das operações. As ações começam a ser negociadas às 10h, mas, às 9h57, a B3 já havia enviado um e-mail aos clientes alertando sobre a suspensão do pregão.
As negociações ficarão paralisadas por 30 minutos. Caso as quedas persistam, a interrupção poderá ser prolongada ou até se tornar indefinida. A paralisação abrange ações, BDRs, ETFs, opções referenciadas nesses ativos e títulos de renda fixa privada.
O circuit breaker funciona como um mecanismo de proteção contra oscilações excessivas. Uma queda de 10% no Ibovespa interrompe as negociações por 30 minutos. Após a reabertura, se a baixa atingir 15%, a pausa passa a ser de uma hora. Ao chegar a 20%, a B3 pode suspender os negócios por um período a ser definido, com comunicação ao mercado. O mecanismo não é acionado nos últimos 30 minutos do pregão. Se a interrupção ocorrer na última hora, o encerramento poderá ser prorrogado em até 30 minutos para permitir a reabertura e a negociação contínua.
Esta é a 24ª ativação do circuit breaker na história da bolsa, que já havia sido acionado em 23 ocasiões anteriores. Em 1997, durante a crise asiática, houve interrupções nos dias 7 e 12 de novembro. Em 1998, durante a crise da Rússia, ocorreram cinco paralisações, incluindo duas no dia 10 de setembro, além de outras em 21 de agosto e 4 e 17 de setembro. Em 1999, durante a crise cambial brasileira, o mecanismo foi acionado em 13 e 14 de janeiro, quando o Ibovespa atingiu mínimas de 5.277 e 5.050 pontos.
Depois de 1999, o mecanismo voltou a ser ativado em 2008, durante a crise financeira originada nos Estados Unidos após a concordata do Lehman Brothers, com seis interrupções: a primeira em 29 de setembro e as demais em outubro, nos dias 6 (duas vezes), 15, 19 e 22. Em 2017, o circuit breaker foi acionado após a delação premiada da JBS quase derrubar o governo de Michel Temer. Em 2020, houve seis ativações, nos dias 9, 11, 12, 16 e 18 de março, em meio à volatilidade global provocada pelas incertezas iniciais da pandemia de coronavírus.
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