Ministro Alexandre de Moraes ironiza críticas de militares em interrogatório sobre golpe

Segundo Cid, o encontro ocorreu em 28 de novembro de 2022 e envolveu militares de elite do Exército, conhecidos como “kids pretos”
Por: Brado Jornal 10.jun.2025 às 07h35
Ministro Alexandre de Moraes ironiza críticas de militares em interrogatório sobre golpe
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes reagiu com ironia, na segunda-feira (9.jun.2025), ao ser informado de que foi alvo de críticas e xingamentos durante uma reunião de militares investigada por tramar um golpe de Estado em 2022. Em depoimento, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), relatou que o ministro foi duramente criticado no encontro. “Pode falar, estou acostumado”, disse Moraes, ao ouvir que foi chamado de “desgraçado” e alvo de memes.

Reunião com “kids pretos”

Segundo Cid, o encontro ocorreu em 28 de novembro de 2022 e envolveu militares de elite do Exército, conhecidos como “kids pretos”. A Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta que o grupo discutiu a redação de uma carta para pressionar o Alto Comando do Exército a apoiar um golpe, com o objetivo de impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Cid descreveu o tom da reunião como informal, comparando-a a uma “conversa de bar”, com troca de figurinhas e comentários ofensivos contra Moraes, mas sem planos explícitos de atacá-lo.

Interrogatórios no STF

O depoimento de Cid abriu a série de interrogatórios da 1ª Turma do STF, iniciada na segunda-feira (9.jun), com réus acusados de integrar o núcleo central da tentativa de golpe. Além de Cid, que firmou acordo de colaboração com o STF, o grupo inclui figuras como Jair Bolsonaro, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier, o ex-ministro do GSI Augusto Heleno e o ex-ministro Walter Braga Netto. Este último, preso preventivamente no Rio de Janeiro, participa por videoconferência.

Os interrogatórios, que seguem até sexta-feira (13.jun), ocorrem em ordem alfabética após o depoimento do delator, garantindo que os réus conheçam as declarações de Cid para exercerem seu direito de defesa. Embora obrigados a comparecer, os acusados podem optar por permanecer em silêncio. As sessões, conduzidas pelo relator Alexandre de Moraes, permitem perguntas do procurador-geral Paulo Gonet, dos advogados e de outros ministros da 1ª Turma, sendo transmitidas ao vivo pela TV Justiça, Rádio Justiça e YouTube.

Etapa processual

Os interrogatórios integram a fase de instrução criminal, destinada à coleta de provas. Testemunhas de acusação e defesa já foram ouvidas, e novas provas documentais ou periciais podem ser solicitadas, caso autorizadas por Moraes. Após essa etapa, as partes apresentarão alegações finais, e o ministro elaborará o relatório para o julgamento. A condução do caso reforça a atuação do STF na investigação de ações que ameaçaram a democracia em 2022.




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