Ministro nega recurso de Erika Hilton para reabrir caso de transfobia arquivado em São Paulo

Decisão mantém arquivamento de ação contra Isabella Alves Cepa, acusada de comentário discriminatório em 2020
Por: Brado Jornal 04.set.2025 às 08h21
Ministro nega recurso de Erika Hilton para reabrir caso de transfobia arquivado em São Paulo
ANA POMPEU
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes decidiu, na terça-feira, 2 de setembro de 2025, indeferir a reclamação apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) que buscava reabrir uma ação penal por transfobia. O processo, arquivado pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo após manifestação do Ministério Público Federal (MPF), envolve a ativista feminista Isabella Alves Cepa, acusada de publicar em 2020, na rede social X, um comentário considerado discriminatório: “A mulher mais votada é homem”, em referência à eleição de Hilton como vereadora mais votada de São Paulo.

Hilton argumentou que o arquivamento do caso, baseado na ausência de legislação específica para criminalizar a transfobia, contraria a decisão do STF de 2019, que equiparou a prática ao crime de racismo. Em sua decisão, Mendes reconheceu que o MPF ignorou o entendimento do Supremo, afirmando: “É de se repudiar toda tentativa de esvaziar a autoridade das decisões deste Tribunal mediante reinterpretações que acabam por reintroduzir formas de silenciamento e negação de direitos fundamentais.” No entanto, o ministro destacou que a 7ª Vara Criminal Federal fundamentou o arquivamento de forma independente, com base nos elementos do processo e seguindo o Código de Processo Penal (CPP).

Segundo Mendes, o juiz responsável concluiu que a conduta de Cepa não ultrapassou os limites da liberdade de expressão, não configurando crime: “As declarações não ultrapassam os limites da liberdade de expressão e do direito, dela decorrente, de o indivíduo propagar suas opiniões, desde que não se consubstanciem em discursos de ódio.” O ministro reforçou que, em uma reclamação constitucional, o STF não reavalia provas, mas verifica se houve violação de seus precedentes, o que não foi constatado.

Isabella Alves Cepa, que atualmente vive na Europa com status de refugiada, celebrou a decisão: “A biologia venceu! A liberdade também. Foram quase cinco anos, mas hoje, mulheres, nós vencemos!” Ela argumentou que o arquivamento representa “uma vitória histórica para todas as mulheres” e criticou tentativas de “silenciar mulheres por dizerem o óbvio”. O caso começou após a publicação de Cepa em 2020, quando questionou o resultado das eleições municipais, afirmando: “Decepcionada. Com as eleições dos vereadores, óbvio. Quer dizer, candidatas verdadeiramente feministas não foram eleitas. A mulher mais votada é homem.”

A decisão de Mendes mantém o arquivamento da ação penal, julgando improcedente a reclamação de Hilton. O ministro enfatizou que o juiz da 7ª Vara não negou a validade da equiparação entre transfobia e racismo, mas considerou que o comentário de Cepa não se enquadrava como crime, respeitando os trâmites legais.


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