Grupo do PL propõe excluir Bolsonaro de anistia para viabilizar projeto

Estratégia busca facilitar aprovação de perdão aos condenados pelo 8 de janeiro
Por: Brado Jornal 05.set.2025 às 09h02
Grupo do PL propõe excluir Bolsonaro de anistia para viabilizar projeto
Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo
Uma corrente do Partido Liberal (PL) defende a exclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro de um eventual projeto de anistia voltado para os condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A estratégia, segundo apuração da analista política Julliana Lopes, do CNN Arena, visa desbloquear a aprovação do projeto em um momento crítico, durante o julgamento do núcleo principal envolvido na tentativa de golpe. A proposta ganhou força após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), indicar que apresentará um texto alternativo que não inclui Bolsonaro entre os beneficiados.

A ala do PL acredita que, para garantir o avanço da anistia e aliviar a situação dos condenados, é necessário que Bolsonaro abra mão de ser contemplado pelo projeto. Apesar de o ex-presidente já ter indicado anteriormente que não precisaria do benefício, seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), tem intensificado esforços no exterior. Em uma carta ao governo dos Estados Unidos, Eduardo defendeu a anistia como “fundamental para pacificar o país e remover sanções impostas” pelos americanos.

Fontes do PL avaliam que convencer Bolsonaro a aceitar a exclusão pode ser viável, mas persuadir Eduardo a abandonar sua articulação internacional é um obstáculo maior. Mensagens obtidas em investigações revelam diálogos entre pai e filho sobre a importância da anistia para proteger Bolsonaro de acusações relacionadas à tentativa de golpe e à abolição do Estado Democrático de Direito.

As negociações em torno do projeto seguem em ritmo acelerado, com reuniões frequentes envolvendo líderes do Centrão e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem se destacado na defesa da anistia. O governo federal acompanha o movimento com cautela, enquanto o PT já declarou que o presidente Lula vetará qualquer proposta de anistia aprovada pelo Congresso. No Senado, Alcolumbre trabalha em um texto que prevê redução de penas para participantes de menor envolvimento nos atos, sem beneficiar líderes ou articuladores, como Bolsonaro.


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