Nesta quinta-feira (15), o Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (atualmente denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.), sediada em São Paulo, devido a graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Em nota oficial, a autoridade monetária afirmou que “continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais”. Além disso, destacou que “o resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis”.
Com a medida, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficam indisponíveis, conforme a legislação vigente. A liquidação extrajudicial implica a interrupção das operações da empresa, com a nomeação de um liquidante no caso, Antonio Pereira de Souza, da APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. – para gerir o encerramento das atividades, venda de ativos e pagamento de credores.
A Reag atuava exclusivamente como gestora e administradora de cerca de 80 fundos de investimento. Por isso, a decisão atinge apenas a instituição, sem impactar diretamente os fundos, que permanecem operando no mercado por meio de outras gestoras.
A medida ocorre um dia após a deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, pela Polícia Federal, que investigou o uso de fundos para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master instituição também liquidada extrajudicialmente pelo BC em novembro de 2025. O foco recai sobre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e aliados, incluindo o ex-controlador da Reag, João Carlos Mansur, alvo de buscas.
De acordo com relatório do BC encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU), entre julho de 2023 e julho de 2024, fundos geridos pela Reag participaram de operações fraudulentas com o Master. O esquema envolvia empréstimos concedidos pelo banco a empresas, que direcionavam os recursos para fundos da Reag. Esses valores circulavam rapidamente entre fundos via transações sucessivas, gerando reavaliações artificiais de ativos e aparente valorização contábil sem lastro real.
A autoridade monetária apontou falhas graves na gestão de risco, concessão de crédito e controle de liquidez, com negócios sem garantias adequadas e alto potencial de prejuízos, em descumprimento às regras do SFN.
Anteriormente, a Reag já havia sido investigada na Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025, que apurou fraudes no setor de combustíveis com suposto envolvimento de facções criminosas. A empresa negociou, via fundo Hans 95, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Master títulos de renda fixa em que o investidor empresta ao banco em troca de juros futuros.
Na ocasião, o Banco Master afirmou que “a Reag era uma prestadora de serviços do banco de gestão e administração de fundos. O Banco Master é apenas um entre centenas de clientes da Reag, que é uma das maiores do País, não tendo qualquer participação na sua gestão, estrutura societária ou decisões internas”.
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