Relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal revela que o senador Jaques Wagner (PT-BA) disponibilizava seu gabinete no Senado para encontros com gestores do Banco Master. Em conversa com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, o congressista afirmou que o espaço era “o mais protegido e discreto” para realizar as reuniões.
Em áudio encaminhado a Lima, Wagner disse: “Continuo achando que o melhor lugar para fazer seria no meu gabinete, que é o mais protegido e discreto para todo mundo. Para ele é natural estar lá, você já esteve várias vezes lá com André. Então, não teria tanta atenção. Até porque eu posso ir lá embaixo, chegar mais ou menos junto com você na hora que for marcada e subo e você não precisa nem passar pela identificação”.
De acordo com a PF, há registro de pelo menos dois encontros no gabinete do senador. Uma terceira reunião havia sido marcada para 19 de abril de 2024, mas acabou cancelada.
O ministro André Mendonça, relator do inquérito, retirou o sigilo do relatório na quinta-feira (30). A Polícia Federal classifica o material como preliminar e indiciário. Os documentos também apontam benefícios recebidos por Wagner — uso de aviões, ingressos para shows e um apartamento de luxo — provenientes de Augusto Lima, em troca de atuação favorável ao banco no Congresso. Parte dessas vantagens teria sido transferida por meio de empresas, fundos e pessoas interpostas.
Nesta sexta-feira (31), Jaques Wagner declarou ter “certeza de que vai provar sua inocência”. Em entrevista à Rádio Baiana FM, disse estar “tranquilo” e focado nas eleições de outubro, com a convenção do partido marcada para o sábado na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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