A defesa da soberania do Brasil deve entrar no discurso que Luiz Inácio Lula da Silva fará na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira (22). O presidente pretende falar do cenário eleitoral e criticar tentativas de interferência estrangeira no pleito de 2026.
O texto ainda está em elaboração. Auxiliares dizem que a versão final não ficou pronta, mas a expectativa é que Lula volte a destacar a democracia, como no ano passado. Não deve citar os Estados Unidos nem Donald Trump. Interlocutores afirmam que o recado também alcançará outros países que, na leitura do petista, tentam influenciar a eleição brasileira, entre eles Argentina e Israel.
No governo, Washington é vista como a principal preocupação, pela influência geopolítica e pelo peso das big techs. Mesmo assim, a eleição não deve ser o centro do pronunciamento. Para a diplomacia, o tema ganhou relevo porque democracia e multilateralismo estariam sob ataque. Nos últimos dias, Lula tem dito que pretende levar a Trump, em contato direto, a posição de que o Brasil não aceita ingerência americana no processo eleitoral.
Os dois podem se cruzar na abertura da 81ª sessão da Assembleia. Até agora, Brasília e Washington não articularam reunião bilateral à margem do evento. A aposta é um encontro de corredor, como no ano passado, quando Trump falou em “química” com Lula.
O possível contato ocorre sob novas tensões comerciais. Os EUA tarifaram produtos brasileiros, e Trump criticou a condenação de Jair Bolsonaro.
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