O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) reconheceu, em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira, 26 de outubro, que a chance de anular a eleição presidencial é “praticamente nula” e pediu que apoiadores de Flávio Bolsonaro não saiam às ruas por impulso após a derrota para o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva. Na gravação, o parlamentar questionou aspectos do processo eleitoral, afirmou que há perguntas sem resposta e recorreu à religião para orientar os eleitores a lidar com o resultado.
“Conhecendo o nosso país, a chance de anular essa eleição é praticamente nula. E a prudência agora deve falar mais alto que qualquer ímpeto do nosso coração. Já vimos muitas pessoas pagarem um alto preço de irem para a rua no calor da emoção. Não façam isso”, disse Nikolas.
O deputado citou como anormalidades a virada de Lula no segundo turno, o fato de o petista ter vencido apesar de Flávio ter ficado à frente no primeiro turno e a prorrogação do horário de votação. Nikolas também afirmou que foi a primeira vez que um candidato venceu a eleição presidencial sem ganhar em Minas Gerais. O parlamentar fez referência à decisão que ampliou o horário de votação, alvo também de críticas de Flávio após o resultado. O senador afirmou que não reconhecia a derrota e que pediria a anulação do pleito.
Ao longo do vídeo, Nikolas afirmou que sua primeira reação à derrota foi de “raiva, indignação, revolta” e disse ter mudado de perspectiva após refletir sobre a situação. Ele associou as comemorações de apoiadores de Lula a imagens de presídios, tiros e manifestações que classificou como satânicas, e contrapôs a euforia dos adversários à ideia de uma alegria verdadeira ligada à fé cristã.
“Há pais que choraram, mães que estão desoladas, jovens com a esperança abalada. Há tristeza em nossas casas, mas a nossa tristeza é passageira”, afirmou o deputado, que encerrou a gravação com uma citação do Salmo 119 e a previsão de que os acontecimentos dos próximos anos darão sentido ao sofrimento dos eleitores derrotados.
Nikolas foi um dos principais mobilizadores digitais da campanha de Flávio, com vídeos voltados a ampliar o alcance da candidatura, inclusive no Nordeste. A derrota, no entanto, abriu espaço para questionamentos entre aliados sobre a capacidade de a estratégia digital e a mobilização de lideranças políticas se converterem em votos. Em Minas Gerais, onde Flávio havia terminado o primeiro turno à frente de Lula, o senador acabou superado pelo petista no segundo turno.
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