O senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal, e três familiares seguem nesta quarta-feira (28) em deslocamento aéreo rumo aos Estados Unidos. A aeronave partiu da Argentina, realizou uma breve escala no Equador e tem como destino Miami. O voo decolou às 6h22, no horário de Brasília, e tem previsão de aterrissagem por volta das 10h40 no aeroporto executivo Opa-locka, conforme dados do FlightAware.
A jornada teve início na noite de terça-feira. A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou que Flávio Nantes Bolsonaro, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, Carolina Figueira Bolsonaro e Luiza Figueira Bolsonaro cruzaram a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones, às 22h50, no horário de Brasília. O grupo apresentou documentação válida e não havia impedimento legal para a entrada. O registro ocorreu sem incidentes.
Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, eles embarcaram em um voo privado operado pela companhia Baires Fly S.A. O plano de voo indicava Guayaquil, no Equador, como destino imediato. A aeronave Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, havia sido flagrada mais cedo no Aeroporto Internacional Cataratas del Iguazú. O canal argentino C5N havia noticiado que o senador cruzara a fronteira de van e permanecera em uma fazenda em Foz do Iguaçu desde a noite anterior.
O trajeto não cruzou o espaço aéreo brasileiro: sobrevoou Paraguai, Bolívia e Peru antes de pousar em Guayaquil, às 5h46, no horário de Brasília, para a escala. Esses movimentos contradisseram relatos anteriores de agências de notícias e fontes norte-americanas, que indicavam que Flávio já teria deixado o Brasil e chegado aos EUA ainda na terça-feira.
O governo dos Estados Unidos anunciou, na terça-feira, a concessão de vistos ao senador e à família, autorizando a entrada no país. Nesta quarta-feira, o presidente Donald Trump declarou aprovar a viagem. Ao ser questionado por jornalistas, criticou a eleição brasileira de domingo (25), na qual Flávio foi derrotado, classificando-a como “muito estranha” e “terrível”, além de citar avaliações negativas e impactos no mercado.
A saída ocorre após o parlamentar descumprir uma ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. A decisão, proferida na noite de domingo (25), determinava a entrega dos passaportes até as 11h de terça-feira e proibia a saída do país. Flávio possui passaporte italiano, concedido em 2023, durante o governo de Giorgia Meloni, e deveria entregar também o documento estrangeiro. Moraes ordenou ainda o cancelamento de todos os passaportes brasileiros emitidos em seu nome, inclusive os diplomáticos. O processo apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, com possíveis ligações a empresas do jurista e a apostas. O caso permanece sob sigilo.
A Polícia Federal havia alertado Moraes sobre riscos “concretos e atuais” de fuga. Entre os elementos apontados estão uma declaração pública do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, recomendando ao irmão que deixasse o país em caso de derrota eleitoral, o poder econômico do senador e a existência de estruturas no exterior que permitiriam uma permanência prolongada. Eduardo foi recentemente condenado por coação no curso do processo.
Em vídeo publicado em uma rede social, Flávio afirmou ter visitado o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, na segunda-feira (26). Relatou ter sido intimado pela Polícia Federal ao sair da residência para entregar os passaportes e afirmou estar proibido de deixar o país. Questionou a decisão de Moraes, baseada em uma fala de Eduardo de 23 de outubro, e declarou que nunca fez tal afirmação. Disse pretender seguir na oposição ao governo Lula e afirmou que não será calado ou intimidado.
Flávio Bolsonaro também figura em um inquérito que investiga possíveis irregularidades no financiamento da produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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