O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, afirmou que a sigla atuará para barrar qualquer candidatura de inspiração fascista nas eleições para as presidências da Câmara e do Senado, previstas para fevereiro de 2027. Na avaliação do dirigente, a prioridade neste momento é impedir que o radicalismo associado à candidatura de Flávio Bolsonaro — caracterizado pela intolerância, pelo ódio, pela negação do diálogo e pelo enfrentamento à democracia — conquiste hegemonia no Congresso Nacional.
O PT já formalizou, em 27 de outubro, apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para o comando da Câmara dos Deputados. No Senado, a tendência é apoiar a recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo Edinho, caso a articulação entre as forças democráticas resulte em unidade em torno dessas duas candidaturas, a legenda apoiará ambas.
Para o petista, os partidos do campo democrático precisam construir um amplo arco de alianças, mesmo diante de divergências políticas, com o objetivo de garantir a unidade em defesa da democracia. Questionado sobre a possibilidade de a oposição formar um bloco capaz de derrotar Alcolumbre, ele defendeu a importância dessa aliança para evitar que a ultradireita assuma o comando do Senado.
O principal adversário esperado de Alcolumbre é o senador Rogério Marinho (PL-RN), que atuou como coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O PL deverá chegar a 2027 com a maior bancada do Senado, composta por 28 integrantes, o que confere peso à legenda nas negociações pela Mesa Diretora.
Na mesma entrevista, Edinho abordou outros temas. Ao falar sobre práticas internas do PT, criticou o que chamou de acúmulo de projetos pessoais que colocam os interesses coletivos em segundo plano e alertou contra o uso da estrutura partidária para atender a interesses particulares ou promover o enriquecimento patrimonial. Também afirmou que a proposta do economista André Lara Resende para alterar a política monetária e reduzir os juros de forma acelerada nunca foi debatida no partido nem com o presidente Lula.
Sobre a anistia ou a dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de Janeiro, afirmou que a prioridade continua sendo a defesa da democracia e que qualquer diálogo sobre o tema, caso ocorra, deve acontecer em um ambiente de pacificação nacional. Em relação à apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro pela Polícia Federal, minutos após a proclamação do resultado eleitoral, avaliou que, do ponto de vista político, a medida pode ter sido inoportuna naquele momento.
Ao comentar a possibilidade de impeachment de ministros do STF, lembrou a decisão do 8º Congresso Nacional do PT sobre a necessidade de reformas política, eleitoral e do Judiciário. No entanto, afirmou que, nas circunstâncias atuais, um impeachment enfraqueceria a democracia e as instituições. O partido não aderirá a iniciativas oportunistas que, sob o pretexto de corrigir problemas, fragilizem as instituições democráticas.
Edinho também comentou a proibição das bets, concordando com a decisão de Lula, mas alertando para o risco de os jogos migrarem para a ilegalidade e serem apropriados pelo crime organizado. Ele defendeu um processo de transição que leve em consideração o financiamento do futebol. Sobre o fim da chamada taxa das blusinhas, afirmou que o PT não possui uma posição unificada e que é necessário equilibrar o direito de compras on-line dos setores populares com a proteção do pequeno e médio comércio. Quanto à transição para o fim da escala 6x1, avaliou que há espaço para negociar melhorias que considerem as particularidades de cada setor.
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