UE convida Canadá a ser primeiro membro associado

Von der Leyen fala em mundo hostil, novas alianças e planos contra ameaças híbridas, calor extremo e migração
Por: Brado Redação 16.set.2026 às 09h27
UE convida Canadá a ser primeiro membro associado
Reprodução

Ursula von der Leyen convidou o Canadá a se tornar o primeiro membro associado da União Europeia. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (16), durante o discurso anual sobre o Estado da União no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. O primeiro-ministro Mark Carney estava presente, foi ovacionado de pé e abraçado pela presidente da Comissão Europeia após o convite.

A chefe do Executivo comunitário afirmou que o bloco de 27 países enfrenta um mundo “abertamente hostil” e precisa redesenhar suas parcerias. Há guerra nas fronteiras, ataques híbridos em território europeu e concorrência intensa dos Estados Unidos de Donald Trump e da China no comércio e em áreas estratégicas. Segundo ela, as parcerias são uma escolha estratégica e uma resposta à fragmentação do sistema internacional baseado em regras. “Precisamos urgentemente repensar nossas parcerias e construir coalizões para a resiliência e a democracia, e é por isso que convidei o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney. Vemos o mundo com os mesmos olhos.”

A relação com Ottawa deve ser elevada “ao maior nível possível”, para preservar a independência europeia em energia, matérias-primas, tecnologias limpas e outros setores. A nova aliança pretende criar um espaço comum de prosperidade e segurança econômica em manufatura, tecnologia, energia, inteligência artificial, defesa e na questão do Ártico. Von der Leyen ressaltou que o entendimento não é contra ninguém, mas em benefício do próprio bloco.

Ela também cobrou um novo plano de emergência diante de ameaças híbridas que, segundo disse, se multiplicam em solo europeu e se tornam “cada vez menos híbridas”. O protocolo incluiria a convocação imediata de todos os países do bloco. A presidente acusou a Rússia pelo incidente de um drone com explosivos no aeroporto de Leipzig e afirmou que agentes russos usaram material de nível militar na Europa.

Von der Leyen pediu ainda planos para enfrentar o calor extremo e episódios de migração em massa, como o ocorrido em julho em Ceuta, quando cerca de 50 mil imigrantes africanos cruzaram a nado a fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol. Prometeu reforçar a Frontex e priorizar o retorno de imigrantes aos países de origem.

No mesmo discurso, criticou Israel pelo expansionismo na Cisjordânia e classificou como inaceitável a decisão de avançar com o projeto de assentamento E1. Disse que cabe à Europa manter viva a solução de dois Estados.



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