O principal índice da bolsa de Tóquio, o Nikkei 225, abriu em forte queda nesta sexta-feira (6, horário local) e recuou 6,2%, para 57.271,19 pontos. Outros mercados asiáticos também perderam força depois de uma ampla venda de papéis ligados à inteligência artificial em Nova York. Na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu 0,7%, para 9.003,40 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi despencou 7,1%, para 5.000,25 pontos, e chegou a acionar o circuit breaker, interrompendo as negociações temporariamente.
Os mercados globais enfrentam pressão há semanas com as oscilações das empresas que se beneficiaram do crescimento da tecnologia de IA. Investidores temem que a construção de data centers possa desacelerar diante do encarecimento do crédito. Há ainda críticas de que as cotações de ações do setor subiram demais e formaram uma bolha.
Em Wall Street, o S&P 500 caiu 4,4% na quinta-feira, no pior dia desde que o presidente Donald Trump abalou os mercados em abril de 2025 com as tarifas do “Dia da Libertação”. A baixa apagou o avanço do pregão anterior, que havia sido o melhor em três meses. O Dow Jones Industrial Average recuou 1.833 pontos, ou 3,4%. O Nasdaq Composite, que concentra papéis de tecnologia e de IA, perdeu 5,5% e ficou 11,9% abaixo da máxima histórica atingida no mês passado. No mercado, perda superior a 10% é classificada como correção.
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, adicionaram incerteza. Vitórias de democratas aumentaram a chance de que governos locais imponham pausas na construção de novos data centers. Eleitores de diferentes partidos expressam receio em relação à inteligência artificial e criticam o aumento das contas de energia provocados por essas instalações.
Uma desaceleração na construção de data centers reduziria a demanda por chips de IA, por eletricidade e por outros produtos e serviços que têm sustentado boa parte do crescimento da economia americana. A Nvidia, principal símbolo do boom do setor, caiu 9,3% e foi a ação que mais pesou sobre o S&P 500. No acumulado do ano, a fabricante de chips agora registra baixa de 2,6%, depois de altas anuais de cerca de 39%, 171% e 239% nos três anos anteriores.
A Advanced Micro Devices despencou 17,3%. A CoreWeave, que aluga acesso a chips de IA em nuvem, recuou 9,8%. A GE Vernova, fornecedora de energia para data centers, perdeu 7,5%. As ações de fabricantes de chips de IA estão entre as mais influentes de Wall Street por serem algumas das maiores do mercado. Uma variação de 1% na Nvidia, por exemplo, tem impacto maior sobre o S&P 500 do que o mesmo movimento em quase qualquer outro papel americano.
No longo prazo, os preços das ações tendem a seguir a trajetória dos lucros das empresas e das taxas de juros, mais do que a composição do poder em Washington. No fechamento, o S&P 500 recuou 334,89 pontos, para 7.353,73. O Dow Jones terminou em 51.523,06 e o Nasdaq em 24.315,00, após queda de 1.421,52 pontos.
No mercado de energia, o petróleo bruto de referência dos Estados Unidos subiu 0,60%, para US$ 91,06 o barril. O Brent, referência internacional, avançou 3,88%, para US$ 98,29. A incerteza sobre a guerra com o Irã e sobre a normalização da oferta global de energia continua presente. Nos títulos, o rendimento do Treasury de 10 anos caiu para 4,84%, ante 4,90% no fim da quarta-feira. Estava em 4,95% na noite das eleições e acima de 5,30% no mês passado. A queda pode indicar busca por ativos considerados mais seguros diante da baixa das ações. O movimento ocorreu apesar de dados positivos da economia americana, com menos pedidos de seguro-desemprego na semana anterior.
No câmbio, o dólar subiu para 157,83 ienes, ante 157,65. O euro era negociado a US$ 1,1216, ligeiramente abaixo do patamar anterior.
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