Vorcaro diz que delação visava núcleo do governo

Ex-banqueiro prestou depoimento ao Supremo, alegou intimidações e afirmou ter desistido da colaboração; PGR pediu o arquivamento das acusações
Por: Brado Redação 03.set.2026 às 09h26
Vorcaro diz que delação visava núcleo do governo
Reprodução

Daniel Vorcaro, preso em Brasília no âmbito das investigações sobre o Banco Master, declarou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a delação premiada que chegou a cogitar teria como alvo pessoas ligadas ao núcleo do atual governo. O depoimento ocorreu a pedido da própria defesa, diante de um juiz auxiliar do processo relatado pelo ministro André Mendonça.

O ex-banqueiro afirmou ter construído relações com integrantes desse grupo enquanto tentava se defender de ataques que, segundo ele, vinha sofrendo. Disse ter identificado episódios que, a seu ver, ultrapassaram limites morais e legais e que pretendia relatá-los em uma eventual colaboração com a Justiça. Ao mesmo tempo, não mencionou a intenção de revelar vínculos com outras autoridades políticas nem citou participação no financiamento da cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, o filme “Dark Horse”.

Vorcaro pediu para ser ouvido com urgência. O gabinete de Mendonça informou que o empresário alegou estar sob “graves intimidações”. Ele também declarou ter abandonado a ideia de seguir com a delação por se sentir ameaçado por pessoas que classificou como “pessoas do poder”, que teriam interesse, segundo sua versão, em mantê-lo preso.

Na quarta-feira, 2 de setembro, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento das denúncias feitas no depoimento. Para o órgão, Vorcaro não apresentou fatos concretos e juridicamente delimitados, nem elementos mínimos capazes de conferir verossimilhança às acusações ou de justificar novas investigações.

O empresário permanece detido no âmbito das investigações sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Estimativas da Polícia Federal apontam para um esquema bilionário, com desvios de pelo menos R$ 12 bilhões no BRB, mais de R$ 40 bilhões relacionados ao Fundo Garantidor de Créditos e centenas de milhões de reais em fundos de previdência de estados e municípios.

As apurações continuam, e as declarações de Vorcaro ainda serão avaliadas pelas autoridades responsáveis pelo caso.



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